domingo, 20 de maio de 2012


COMPLEXO DE ENSINO SUPERIOR DE SANTA CATARINA
FACULDADE DE CIÊNCIAS SOCIAIS DE FLORIANÓPOLIS - FCSF
NÚCLEO DE PÓS-GRADUAÇÃO
ESPECIALIZAÇÃO EM HISTÓRIA
CONVÊNIO CESUSC/INSTITUTO LUTERANO DE EDUCAÇÃO









ARCANGELO JORGE RIGHEZ









NOSSA ORIGEM, NOSSA HISTÓRIA







IPÊ/RS
2011
ARCANGELO JORGE RIGHEZ






NOSSA ORIGEM, NOSSA HISTÓRIA






Trabalho de Conclusão apresentado ao Curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Práticas Pedagógicas Interdisciplinares com Ênfase em Áreas da Educação da Faculdade de Ciências Sociais de Florianópolis, como requisito à obtenção do título de Especialista em História.






Orientador: Marcelo Etcheverria




Ipê/RS
2011
Autor: Arcangelo Jorge Righez

Título: Nossa Origem, Nossa História










Trabalho de Conclusão apresentado ao Curso de Pós-Graduação Lato Sensu em Práticas Pedagógicas Interdisciplinares com Ênfase em ares da Educação da Faculdade de Ciências Sociais de Florianópolis, como requisito à obtenção do título de Especialista em História,                                aprovado com 9.



                                                   Ipê (RS), 17 de Fevereiro de 2011.


Marcelo Etcheverria, Mestre em História /UFRGS
Professor Orientador [título, nome e IES]


___________________________________________
                                                 Coordenador de Pós-Graduação Alexandre Luiz Ramos

RESUMO

Este trabalho tem o objetivo de fazer uma viagem, ao passado da família Righês, que imigrou da Itália para o Brasil. A idéia da família Righês, sair da Itália surgiu em 1875, com incentivo do Governo Italiano e Brasileiro. Vários foram os motivos: do lado italiano estava em jogo a desenvolvimento industrial do norte do país e esta população pobre estava se tornando um empecilho, esta parte da população devia ser desovada em algum país. Já o Brasil precisava substituir a mão-de-obra negro-escrava, pela européia assalariada, bem como branquear a raça brasileira. Com isso muitas famílias partirão levando, a fé, a reza do terço, a união e a vontade de prosperar. Inúmeras foram às dificuldades encontradas pelos imigrantes aqui no Rio Grande do Sul. Porém desbravaram a mata virgem, construíram moradias, plantaram e começaram a criar animais. Tudo isso servia de alimentação e comercializavam as sobras. Assim nasceu um novo povo, que é o orgulho para nossas gerações, pois deixou a riqueza da fé, da esperança, da honra, do trabalho, da educação, cultura e da união das famílias.

Palavras-chave: Imigrante. Família. Fé. Trabalho. Dialeto.


















SUMÁRIO


          INTRODUÇÃO............................................................................................................. 5
1        RETORNO AO PASSADO.......................................................................................... 6
1.1     A vida do povo na Itália................................................................................................. 6
1.2     Propaganda da imigração para a América................................................................... 8
1.3     Preparativos para a viagem.......................................................................................... 8
1.4     A viagem e o mar........................................................................................................... 9
1.5     A chegada ao Brasil..................................................................................................... 11
1.6     Viagem para o Rio Grande do Sul.............................................................................. 12
1.7     Nova pátria................................................................................................................... 13
1.8     O trabalho na nova terra............................................................................................. 14
1.9     Organização das residências....................................................................................... 16
1.10   Vestes e calçados......................................................................................................... 18
1.11   A religião...................................................................................................................... 19
1.12   A escola........................................................................................................................ 25
1.13   Instrumentos e utensílios............................................................................................. 27
2        RIGHÊS E RIGHEZ................................................................................................... 32
2.1     Adio Itália..................................................................................................................... 32
2.2     A viagem....................................................................................................................... 34
2.3     A procura de uma propriedade................................................................................... 35
2.4     Ana Rech...................................................................................................................... 37
2.5     São Manoel (Campestre da Serra, Vacaria).............................................................. 37
2.6     São Brás (Ipê, Vacaria)............................................................................................... 39
2.7     Capela São Mmiguel (Linha Paim, Ipê)...................................................................... 39
2.8     Vila Segredo................................................................................................................. 41
2.9     A fé da família.............................................................................................................. 43
2.10   Casamentos.................................................................................................................. 44
2.11   A vida na roça.............................................................................................................. 46
2.12   As plantações............................................................................................................... 46
2.13   Os cantos...................................................................................................................... 47
2.14   O filó............................................................................................................................. 47
2.15   A escola........................................................................................................................ 48
2.16   Tarefas extra roça....................................................................................................... 48
2.17   Ajuda na conservação de estradas............................................................................. 49
2.18.  A vida de Giuseppe e Maria........................................................................................ 49
2.19   Filhos de Giuseppe e Maria......................................................................................... 50
2.20   Os filhos de Francisco.................................................................................................. 56
3        DIALETOS.................................................................................................................. 63
3.1     O dialeto nas colônias do Rio Grande do Sul............................................................. 63
3.2     O governo interfere na fala........................................................................................ 63
3.3     O colono visto como um progressista......................................................................... 67
3.4     Provérbios dos avós..................................................................................................... 69
          CONCLUSÃO............................................................................................................. 72
          REFERÊNCIAS........................................................................................................... 73
          ANEXO I...................................................................................................................... 75
          ANEXO II................................................................................................................... 105
          ANEXO III................................................................................................................. 115


INTRODUÇÃO


Sabemos que um povo que não tem passado, isto é não conhece as suas origens, não tem raízes e conseqüentemente esta fadado a desaparecer.
Preocupado com isso, procurei correr atrás de informações, que pudesse manter viva a nossa família. Para isso, como a família é de origem italiana, o ponto de partida é emigração italiana, seguindo os passos da família Righês, partido de Pietro até os descendentes atuais.
Neste trabalho faço questão de deixar gravadas, todas as dificuldades que os imigrantes enfrentaram e venceram, aqui no chamado mundo novo.
Temos certeza, de que o Brasil, só é assim, devido à bravura dos emigrantes. Todos os imigrantes, não só os italianos, apesar de que nesta pesquisa, conste somente a vida dos emigrantes italianos.
Aqui podemos encontrar aplicações para a cultura que temos, desde a fala, com os dialetos, os instrumentos de trabalho, as construções, as vestimentas e principalmente o espírito de empreendimento e de fé.
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CAPÍTULO I

1 RETORNO AO PASSADO.

1.1 A VIDA DO POVO NA ITÁLIA.


A família Righês e muitas outras que imigraram para o Brasil, viviam ao norte da Itália em Beluno, província de Suspirolo, perto dos Alpes e divisa com a Áustria.
No final do século XIX, a França, Alemanha, Áustria e Suíça estavam empenhadas em entrar no mundo da modernização e da tecnologia. A Itália continuava atrasada e envolvida em guerras internas e externas, se mantendo totalmente arcaica. Por esses motivos continuava pobre, desorganizada e retrógrada.
O governo penalizava a população com altos impostos, e estes eram remetidos à guerra.  O governo italiano passou a tomar medidas impopulares, pois estava preocupado em obter recursos para a realização de obras públicas, devido a isto, criou o imposto sobre a farinha, que atingia duramente a classe mais pobre.
Contudo, a unificação política e aduaneira impulsionou a industrialização, intensificada no período de 1880-1890. O estado reservou a produção de ferro e aço para a indústria nacional, favorecendo a criação da siderurgia moderna que se concentrava ao norte e era protegida pelo Estado. Mas sua produção não era suficiente, o que passou a exigir importações. A indústria mecânica cresceu mais depressa, especialmente as de construção naval e ferroviária, máquinas têxteis e principalmente motores e turbinas. A partir de 1905, a indústria automobilística de Turim conseguiu excelentes resultados.
O problema mais grave estava na total concentração do processo de crescimento no norte, enquanto o sul permanecia agrário. Esta situação econômica fez com que houvesse uma crise na Itália durante o período final do século XIX. O norte foi à primeira área a ser atingida, pois ali começou a se desenvolver a industrialização, deixando os agricultores que complementavam sua renda com o trabalho artesanal, sem emprego e sem ter mercado para seus produtos. Por isto, o norte da Itália fornecia as primeiras grandes levas de imigrantes, e o sul só viveria o processo de emigração mais tarde, principalmente a partir do início do século.
Os jovens eram recrutados para o exército por três anos, e este era o período em que os jovens tinham sua vida mais produtiva, interronpida, onde os que não sucumbiam, ficavam mutilados ou marginalizados.
A fome era grande entre os agricultores e o povo. Estes tinham um futuro incerto.
O inverno era muito rigoroso e os animais ficavam seis meses nas estrebarias. E já não havia terra suficiente para todos os agricultores.
Além de tudo enfrentavam as frequentes invasões dos austríacos no norte da Itália, esses destruíam casas, plantações e seqüestravam seus animais. E eram obrigados a recomeçar tudo de novo:
A população vivia na miséria e se alimentava basicamente de polenta. Era tão pobre, que nem podia comprar sal para colocar na polenta. Comia somente polenta sem sal. Daí advinha uma avitaminose chamada pelagra. Se não fosse tratada levava a morte (BATTISTEL, 2008, p. 15).
Viver nessas condições era bem complicado. Todos sonhavam em sair da miséria, pois tinha coisa pior, vejam só. Os agricultores trabalhavam muito no verão. Antes de clarear o dia já estavam indo para a lavoura, levavam a comida e só voltavam após  anoitecer. Produziam muito no verão para guardar para todo o inverno:
A maioria, porém dedicava-se à agricultura. Como o inverno fosse muito rigoroso, eram obrigados a ficar vários meses dentro de casa, ou nas estrebarias junto aos animais para se aquecerem. Nessa época tinham muito tempo para cantar, contar histórias e estórias e para rezar (BATTISTEL, 1983, p. 600). 
Os jovens enfrentavam sérias dificuldades, pois quando casavam não tinham casa própria e muito menos terreno para construir. E deviam até esperam a liberação de um quarto ou a construção de um novo lar.
Os meeiros viviam uma situação péssima. Havia poucos donos e estes com grandes extensões de terra. Moravam nas residências dos patrões e além de trabalhar tinham que dividir tudo, desde a roça e os animais que criavam, tais como: cabras, porcos, patos, galinhas, ovos, e até as plantações das hortas.
As filhas trabalhavam na casa da patroa e os filhos trabalhavam gratuitamente para o patrão.
As compras que os meeiros faziam durante todo o ano, médico, remédio e comida. Estes pediam dinheiro para o patrão, o patrão emprestava o dinheiro e anotava. E quando iam acertar a conta devia a metade da safra em virtude do contrato e a outra metade eles deviam pelo empréstimo do dinheiro. Era sempre assim não sobrava nada, quando não ficavam devendo:
O vexame de ser uma espécie de escravo do patrão era pior do que não ter pecúlio. Quando o patrão chegava, o meeiro tirava o chapéu para cumprimentá-lo, tinha que se ajoelhar e dizer: “Seu servo às suas ordens” (BATTISTEL, 2008, p.15).
A insegurança era tanta que apavorava, pois em tudo o patrão tinha controle. E se fosse mandado embora era aterrorizante, neste caso ficavam sem absolutamente nada, sem rumo.
Quando casavam os filhos, eram obrigados a viver junto com a família e no sistema servil eternamente.
Por tudo isso eles estavam dispostos a enfrentar qualquer empreitada para sair dessa vida sofrida.

1.2 PROPAGANDA DA IMIGRAÇÃO PARA A AMÉRICA


Sorte deles foi que nas décadas de 1870-80 os brasileiros chegam à Itália oferecendo muitas oportunidades de melhorar as condições de vida em outro continente. E na América tinha comida em abundância, um pedaço de terra para cultivar e progredir. Era tudo o que eles precisavam, além de tudo, livres para sempre. Donos do que produziam.
O Brasil enfrentou uma crise econômica que se agravou em 1820, no qual o algodão brasileiro foi substituído pelo norte-americano e o açúcar teve seu preço reduzido. A escravidão tinha seu caminho irreversível, por isso tinha-se que achar um meio de substituir a mão-de-obra negro-escravo pela mão-de-obra européia assalariada. Abriu-se um espaço para os miseráveis da Europa, principalmente os italianos:
A segunda questão era branquear a raça brasileira, porque dois terços da população era composta por negros e mulatos. O Império do Brasil temia um levante por parte dos negros contra os brancos, como estava acontecendo nos Estados Unidos (BATTISTEL, 2008, p. 16).
Essas preocupações fizeram com que o Brasil importasse agricultores europeus. Foram criados incentivos para que houvesse a imigração. E os que tinham mais capacidade para se adaptar as necessidades do Brasil foram os agricultores do norte da Itália, mesmo por que o objetivo era livrarem-se da torturante vida de meeiros.
O Império Brasileiro ajudava os imigrantes da seguinte maneira: 1. Viagem gratuita da Itália até o local de assentamento no Brasil; 2. Um terreno próprio com título de propriedade; 3. ferramentas para iniciar o trabalho na selva; 4. Alimentação durante o primeiro ano até a primeira safra; 5. Sementes para plantar na primeira safra; 6. Um subsídio em dinheiro para construir a primeira casa na selva (essas cláusulas foram mais ou menos honradas pelo governo da Província do Rio Grande do Sul); 7. Um contrato de trabalho, por escrito, aos que fosse trabalhar nas fazendas de café (esse item foi mais utilizado em São Paulo).

1.3 PREPARATIVOS PARA A VIAGEM.


Para viajar era preciso que os imigrantes apresentassem todos os documentos exigidos, pelos governantes.
O primeiro documento era o passaporte, depois eram exigidos: atestado de vacina, atestado de boa conduta, declaração de bagagem, certidão de nascimento, entre outros. Os pobres que não possuíam certidão de nascimento, precisavam de um atestado, que era uma certidão individual ou em conjunto, passado pelo vigário, no qual o fulano e sicrano eram casados e tinham tais filhos, indicando a procedência e respectiva idade. Estes eram os registros identificados, era a documentação geral exigida na Itália. Uma parte destes documentos eram exigidos para iniciar a caminhada do imigrante em terras brasileiras. As famílias de imigrantes que conservam passaportes e documentos da época têm a consciência de possuir verdadeiros tesouros ou relíquias. Estas têm um grande valor para pesquisadores e familiares.
Como podemos notar a igreja católica tinha poder e influência no governo italiano e isso foi também trazido pelos imigrantes, pois se estudarmos a história do Brasil podemos sentir a influência da igreja junto aos imigrantes, pois o padre foi por muito tempo o líder das comunidades.

1.4 A VIAGEM E O MAR.


Havia naquele período de imigração, companhia de Transportes Marítimos. Estas companhias eram todas exploradas, pois procuravam tomar até o sangue das pessoas durante a viagem da travessia do Atlântico.
O porto de Genova foi o lugar de embarque. E ali o imigrante tinha que pagar a passagem. E às vezes ficavam dias até o embarque e os comerciantes se podiam tiravam um pouco mais, do pouco dinheiro que tinham. As refeições e as estadias eram caríssimas, se podiam arrancavam até o coração dos imigrantes. O cuidado de todos era partir de casa e que o navio partisse o quanto antes, para não ser roubados.
O conselho foi também, que trouxessem algo para comer, pois de velhacos, Genova estava cheia. Existiam também os condutores, que procuravam pessoas para ir para a América, e estes ganhavam 10 francos por pessoa indicada ao dono do navio.
A partida foi de alegria por estar à procura de terras e liberdade. Mas ao mesmo tempo triste, pois eram tantas as incertezas, entre elas muitas foram às epidemias, que dizimaram famílias inteiras. Algumas pessoas foram atingidas por varíola. As pessoas contaminadas e que estavam quase no fim da vida, e para aliviar seu sofrimento, seu incômodo com os familiares e também prevenir os passageiros da contaminação, tomavam a seguinte providência. Esses eram enrolados em lençóis e jogados, vivos, ao mar. Era tanto o sofrimento da travessia do Atlântico, mas traziam consigo a fé que os consolava na hora de dor e desespero:
A atitude de enfaixar mortos e semi-mortos com lençóis, antes de jogá-lo a sepultura no mar, era uma medida para não ferir a sensibilidade dos familiares e demais passageiros (BATTISTEL, 1982, p.25).
Os navios que tivessem epidemia grave e que pudesse por em risco a população, deveria ficar em alto mar quarenta dias, antes de desembarcar os tripulantes. E quando era constatado que não havia cura dos passageiros, abreviavam-se os dias dos infectados, tudo isso em favor da saúde de toda a embarcação.
A febre espanhola também foi outra epidemia que dessimou inúmeras famílias e provocou uma verdadeira calamidade pública.
Muitas famílias não conseguiram chegar inteiras ao Brasil, e mais tarde morreram ainda jovens, sem sentir o sabor da liberdade.
O que mais animava os imigrantes era a fé em Deus, e que novos destinos estavam aguardando. Outro fator importante era a solidariedade das pessoas, colocada acima de tudo, até do econômico.
Os navios a vapor sempre superlotados e cheio de pessoas desconhecidas. E os pobres nos aposentos de última categoria. 
 Normalmente a viagem demorava 35 a 40 dias, e no início utilizavam navio a vela, para se deslocar para o Brasil. E quando o vento era contrário, lançavam âncora e ficavam parados em alto mar por vários dias. Por isso tinham navios que demoravam mais. Às vezes o calor era insuportável aos passageiros. Existia também o racionamento por água potável no navio. As embarcações em condições precárias. A comida servida era deteriorada, uma total falta de higiene, de medicamentos e de médicos, e a superlotação foram os motivos de doença e mortes durante a viagem.
Mais tarde as companhias contrataram navios a vapor e mais confortáveis. As pessoas que não tinham recursos para pagar a viagem, faziam trabalhos gratuitos nos navios e estes eram perigosos e desconfortáveis.
Já, os que pagavam a passagem por conta própria, viajavam em navios mais sofisticados e com total segurança.
Nesta época o Brasil recebeu os italianos mais pobres, dentre os pobres.
Os navios a vapor eram mais rápidos, e a viagem de travessia do Atlântico demorava uns 30 dias.

1.5 A CHEGADA AO BRASIL


No início da imigração, os navios ancoravam no porto da cidade do Rio de Janeiro.
Ali começava um barulho infernal das âncoras, que lembrava as festas religiosas, todos gritavam de alegria, pois tinha terminado a angustia vivida em águas do Atlântico. Depois as pessoas embarcavam em outras embarcações menores, até chegar em terra firme. Havia um vaporzinho que carregava a bagagem dos imigrantes. E depois era distribuída a bagagem de cada família, imagine como eles estavam tudo era possível.
Ali, eram novamente explorados e roubados pelos nossos brasileiros. Mais outra vez estavam sendo enganados e massacrados. Que viagem! Que cucanha!
Muitos navios que ali chegavam estavam totalmente contaminados e era provável que contaminasse os habitantes do nosso Rio de Janeiro.
O governo brasileiro, para tentar minimizar este terrível problema, construiu um albergue na Ilha das Flores.
No Rio de Janeiro, era na Ilha das Flores que atracava a maioria dos grandes navios com imigrantes italianos, para que estes permanecessem de quarentena, a soberana Maria Teresa Cristina de Bourbon, natural de Nápoles, esposa do Imperador D.Pedro II, estimulou a vinda de imigrantes ligados ao comércio e as artes.
Não apenas São Paulo e estados do sul do país receberam imigrantes italianos, mas também Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo e algumas cidades no norte e nordeste.
Os imigrantes do porto do Rio de Janeiro seguiam de trem até o local de hospedagem.

No desembarque eram revistados na entrada, dos pés a cabeça. Depois iam em uma enorme sala que acolhia umas 1.500 pessoas sentadas.
Neste local era servido um bom café, com uma boa comida. Para saciar definitivamente a fome e poder novamente comer algo mais gostoso e com sabor de vida nova.
Mais tarde as pessoas eram conduzidas a outros enormes salões para dormir.
Existem relatos que nessas acomodações, existiam piolhos nos colchões, era quase impossível de dormir, pois as coceiras eram tantas.
Ali os imigrantes ficavam por vários dias, até seguir ao local de destino definitivo.
Aqui relato a viagem da Família de Pietro Righês, sua esposa e seus dois filhos homens e duas filhas mulheres.
Além da Ilha das Flores no Rio de Janeiro, em 1852 foi inaugurada uma hospedeira, no Bairro do Bom Retiro, em São Paulo. Mais tarde foi desativado este local, pelo fato de ser pequeno e lá proliferavam doenças. Com isso foi construído outro local que atendesse a demanda de estrangeiros.
Em São Paulo a situação era a melhor do país. O novo alojamento tinha um regulamento interno, com seis idiomas, recebiam refeições diárias e tinham acesso aos dormitórios, com divisões para as famílias e solteiros.
Apesar da melhoria na chegada, era preciso ainda aprimorar o tratamento no trabalho. No início, os imigrantes eram tratados como escravos, alguns chegavam a dormir nas senzalas. Isso porque os fazendeiros demoraram algum tempo a se acostumar com o novo sistema de trabalho.
No estado de São Paulo a situação era melhor do que na maior parte do país. Com o que ganhavam nas colheitas, alguns imigrantes puderam juntar dinheiro para adquirir terras e até mesmo para se mudar para a capital. E foram dinheiro e o espírito empreendedor de alguns desses imigrantes italianos que ajudaram a cidade de São Paulo a se desenvolver industrialmente.

1.6 VIAGEM PARA O RIO GRANDE DO SUL


De volta de trem para o Rio de Janeiro, os imigrantes seguiam para os estados de destino.
Os que embarcavam para o Rio Grande do Sul vinham em barcas até Porto Alegre, outros vinham em transatlânticos até o Porto de Rio Grande, e de lá rumavam para Porto Alegre em embarcações menores, pela Lagoa dos Patos.
Na capital dos gaúchos, tomavam lanchas ou barcos a vapor que conduziam estas pessoas até Montenegro, e outros até São Sebastião do Caí, sempre por rio.
Neste momento terminava a viagem por via fluvial. O governo do Rio Grande do Sul contratou os tropeiros luso-brasileiros para transportar os primeiros imigrantes italianos para as colônias destinadas.
Já os que vieram mais tarde, eram transportados por carretas, os seus baús, as mulas, as bagagens mais leves, estas dentro das bruacas. Os imigrantes iam a pé, e as crianças que não podiam ir no colo, eram colocadas dentro de jacas em cima das mulas, ou com seus pertences nas costas.
 Os mais ricos tinham um pouco de regalias, seguiam em carroças.
Quando era possível ajudavam os colegas durante a viagem, até se podiam iam trabalhar para ganhar algum troco.
A maioria dos imigrantes vindos para o Rio Grande do Sul, são provenientes das regiões do norte da Itália, Vêneto, Lombardia, Trentino-Alto Ádige, Fríuli-venécia Júlia, Piemonte, Emília-Romanha, Toscana e Ligúria.
 As regiões de subdividem-se em províncias e estas também se subdividem em cidades, municípios e vilas. Ali um povoado era diferente do outro, pois cada qual tinha seus costumes, sua igreja, seus padres e a língua também era diferente:
“Os padres eram numerosos como os cabelos (João Pivetta, 1979), para dizer que, na Itália, estavam bem servidos. Os imigrantes italianos tinham boa formação religiosa, expressa em práticas religiosas e na fé vivida. Em cada comunidade, o padre gozava de particular estima, como representante de Deus. A hierarquia era sagrada. O povo era profundamente devoto. Diz-nos a Sra. Amália Antonello Paliossa (1979), que ao trabalhar na tecelagem de fios de seda, rezavam o terço e outras orações. À noite, em casa, rezavam outro terço em família. Nem o espírito racionalista nem o espírito carbonário haviam atingido significativamente a região donde provieram a maioria dos imigrantes. Trouxeram para o Rio Grande do Sul a tradição religiosas com as suas práticas” (BATTISTEL, 1983. p.600).

1.7 NOVA PÁTRIA


Chegando nas colônias, os imigrantes se instalavam em barracões, para depois deslocarem-se para suas terras definitivas. Os que não admitiam ficar nos barracões, porque, achavam que lá havia “brute robe”, iam para suas terras, e neste local improvisavam a moradia com lençóis e galhos de árvores.
A fé em Deus e a virgem Maria foi à maneira encontrada para ter animo, pois estavam no meio da mata virgem, sujeitos a tudo, tigres, índios, falta de comida, distante dos amigos, longe dos parentes e do mundo civilizado. Estavam totalmente perdidos e desiludidos. Quem os animava eram as orações. Mais tarde foram mandados padres da Itália para o Brasil, para dar atendimento aos colonos.
Os leigos foram os primeiros animadores das sociedades, os que mantiveram vivas as tradições e os costumes religiosos.
Após uma jornada de trabalho, como cortar mato, rachar torras, o marido, ao chegar em casa, tratava os animais. A esposa esperava para a janta e após a janta rezavam o terço.
Queiram ou não a oração manteve unidas as famílias, pois o domingo sempre foi respeitado, como um dia de descanso e oração.

1.8 O TRABALHO NA NOVA TERRA


O imigrante teve que se adaptar a uma nova maneira de trabalho agrícola, que começava com o corte do mato. Primeiro cortava-se todas as árvores menores e por último às árvores maiores. As árvores menores eram cortadas à foice e as maiores com o machado, e a serrote, que era puchado por duas pessoas, uma de cada lado da árvore. Esperava-se secar as folhas, depois era queimada a roça.
Os ramos mais grossos eram cortados com o machado. Depois era feito o plantio do milho, fazendo a cova e colocando 4 ou 5 grãos por cova, na distância de 1 metro uma da outra. O cuidado com as ervas daninhas consistia em não deixá-las sementar, para diminuir a mão-de-obra, com isso aumentavam a plantação, com menos trabalho. As árvores maiores ficavam apodrecendo ali, pois após a colheita subia capoeira.
Na primeira década da colonização muitos imigrantes, trabalhavam na abertura de estradas e as mulheres no atendimento da família e aos afazeres domésticos.
Com o trabalho na agricultura os recém casados desejavam ter filhos homens e em número maior, para o trabalho na lavoura. A mulher era mais auxiliar nas plantações e dedicava-se mais nas preocupações domésticas.
A alegria dos pais quando um filho casava era ter um pedaço de terra a cada filho homem:
“A tôzi se dá la terra, ea tôze se dá la dota”. “Todo filho homem, para casar, devia ter terra; as filhas precisavam apenas do dote” (BATTISTEL, 1982, p.20).
A grande pobreza dos imigrantes nunca foi sinônimo de preguiça e muito menos e vontade de trabalhar, e muito menos a união da família, mas sim uma economia rígida e uma união familiar.
Tudo isso foi um espírito cultural, uma enorme capacidade de viver sem luxos e sem coisas supérfluas, e também aproveitando muito os produtos que a terra oferecia e pela vontade de ter dinheiro. O mais importante mesmo e que trabalhavam tendo em vista o dia de amanhã e pensando sempre em fazer bons negócios e aproveitar bem as oportunidades da vida. Outra qualidade que os faz pessoas importantes é a simplicidade, as formas de vida, a alimentação e principalmente o aproveitamento de objetos que usam para fazer outros utensílios.
Um dos grandes exemplos é o que os imigrantes faziam com as latas que compravam com comida.
A lata de sardinha aproveitava-se para fazer um caneco para tomar água. As latas maiores fazia-se o cabo e usava para tirar leite. Outras latas maiores eram usadas para guardar banha.
Usavam latinhas para fazer lampiões, para cozinhar alimentos e tantas outras situações, até mesmo inimagináveis. Realmente se reutilizava e se reciclava, pois nada se perdia.
Outra grande qualidade sempre foi o bem estar da família.
A maior frustração e o medo dos imigrantes era ser enganado, ou passado para trás por vendedores mascates. Esses tipos de pessoas sempre existiam nas colônias. Foram vistos com esta característica, pois experimentaram esse tipo de negócio. Foram explorados e enganados, mesmo antes de sair de suas localidades, no porto, na viagem, na chegada e durante a derrubada das matas, enfim até os dias de hoje.
O maior exemplo eram os falsificadores no comércio, com o jogo das balanças, adicionamento água na uva, no vinho, depois no leite e tantas outras maneiras de enganar o colono. Um ditado italiano diz: “A Deus ninguém logra”.
E hoje como os colonos são enganados? O exemplo é o uso abusivo e inadequado de inseticidas, pesticidas e tantos outros venenos perigosos. Isto é, o agricultor é instruído por vendedores de grandes empresas a usar dosagens altas e periódicas e colher os produtos antes do fim da carência. O ditado hoje é: “Quem pode mais, chora menos”.
A maior virtude dos primeiros imigrantes foi à honestidade e a honra. Todos tinham vergonha na cara onde a palavra tinha mais valor que assinatura.
Com o passar dos anos os agricultores foram sacrificados, e às vezes até infelizes.
A causa foi muito trabalho, exploração pelos comerciantes e principalmente esquecidos pelo poder público, outra a mentalidade de que o colono era grosso, sujo e sem estima.
Os filhos de colono começaram a pensar em uma maneira de sair desta situação angustiante e passaram a criar uma mentalidade urbana.
Estudar para um dia ir trabalhar na cidade, esta foi uma das propostas dos pais, para seus filhos tanto moço ou moça, uma vez que com pouca terra, não tem como competir com grandes produtores e pouca produção não tem como barganhar preços.
Assim sendo começa a nova imigração, mas agora é do meio rural para o urbano e a terra vai ficando na mão de poucos, e as autoridades pouco ou nada fazem para reverter esta tendência, pois ainda não se deram conta que a produção de alimentos é uma questão de segurança nacional, e do jeito que vai vira monopólio e depois vão lembrar do colono.

1.9 ORGANIZAÇÃO DAS RESIDÊNCIAS.


Ao chegar ás colônias, os imigrantes eram alojados em barracões e depois enviados aos lotes.
As colônias eram divididas em léguas, travessões e lotes. A légua era um quadrilátero, de uns 6 á 13 km, abertos no meio da mata os travessões ou linhas. A medição e a demarcação eram feitas por agrimensores. As léguas possuíam 132 lotes, irregulares quanto ao tamanho de 5 á 60 ha.
Os imigrantes, ao chegar ao seu lote, dedicavam-se a abertura clareiras nas matas e construíam abrigos provisórios, cobertos de galho. O pinhão e a caça ajudaram muito os colonos no início.
Às vezes tinham que trabalhar durante uma ou duas semanas na abertura de estradas. Com isso ganhavam um dinheiro. Para financiar as primeiras colheitas.
Para fazer roças de milho e trigo, quanta madeira queimada e arruinada. E quanto sofreram para derrubar o mato.
Os imigrantes vieram com o objetivo de ter terra onde trabalhar, estabelecer sua residência e principalmente formar uma família e garantir o futuro de seus filhos.
Os colonos tinham muita madeira para construir suas casas. No início as casas eram de tábuas rachadas a mão, mais tarde, serradas manualmente, e finalmente nas serrarias movidas a rodas hidráulicas, máquinas a vapor, á maquinas agrícolas e agora elétricas.
As primeiras casas eram todas cobertas de tabuinhas, depois de telhas francesas ou zinco.
As portas e janelas das casas também eram serradas a mão, os entalhes das portas e janelas com plainas manuais e apropriadas.
A parte térrea, era feita escavação a picão e a terra carregada com carrinho de mão.
Normalmente as casas eram construídas separadas da cozinha, pelo fato que se pegasse fogo a cozinha que era de chão batido, teria tempo de salvar, e não queimava a casa.
Perto das casas tinha quase sempre uma fonte de água. Para o lar e para os abrigos de animais precisava-se de água, podendo ser de córrego para os animais, mas sempre de fontes ou de poços, para a cozinha. Utilizavam-se “bigolos” e outros dispositivos para facilmente transportar senhas de madeira, cheias de água ou baldes de sulfato, na época do tratamento das pareiras:
“À noite, o regresso da colônia era indicado pelas trevas. Ao escurecer, todos voltavam levando rebentos de batateira, pontas de ramas de mandioca, dente-de-leão (pizza can), maravalhas ou outras forrageiras para os animais. Os homens tratavam os animais, e as mulheres ordenhavam as vacas de leite e encaminhavam a janta, que não consistia de sopas ou de comidas leves, mas de polenta nova, com carnes, “radíci” com toicinho (col lardo, ou col pesto) e comidas fortes para compensar o desgaste de energia, após um dia de trabalho. A preparação da janta começava após o escurecer. Aproveitava-se a luz do entardecer para buscar água no rio e de fonte para a noite, para fechar os animais (vacas leiteiras e bois de tração) e tratá-los, para buscar vinho e vinagre no porão, porque, a menos nas noites de luar, poucos gostavam de sair no escuro. Após, começa o mais rico e original encontro familiar, impossível de descrever, que marcou profundamente a família, que hoje está em desaparecimento, com o ingresso da televisão, do rádio, com a ausência dos garotos que, á noite, vão a cidade estudar. Tudo começava assim (BATTISTEL, 1982, p. 52)”.
O galpão (paiol), foi outra construção importante na propriedade, tinha como finalidade guardar o milho, o pasto para os animais e abrigo para as vacas, para tirar o leite.
O forno para assar pão, também sempre foi uma peça importante que fez parte da propriedade.
O chiqueiro dos porcos, também era construído de madeira rachada e coberto de tabuinhas. E eram construídos não muito longe de casa, porque deveria receber a lavagem, isto é a sobra de comida.
Perto das casas era indispensável, laranjeiras, bergamoteiras, limoeiros, alguns pinheiros e sempre palmeiras que tinham a função de pára-raios. Completava a paisagem das casas camélias e flores.
O cercamento arredor das casas era feito de taipas ou de madeira rachada.
O pereiral sustentado por fasquias lascadas de pinheiro e mais tarde de arame. E todo cercado, de muro de pedra lascada.
O potreiro onde o colono tinha umas vacas e o cavalo que era o meio de transporte, de carga e de passeio.
Todo colono tinha quase que obrigatoriamente uma horta, onde cultivava temperos e verduras, pois os imigrantes aprenderam a comer de tudo que a natureza oferece:
“A inexistência de horta, em alguns casos, e a falta de tempo para o cultivo de hortaliças, fez com que se utilizassem hortaliças silvestres como o dente-de-leão (taraxacum officinalis), a língua de vaca, a beldroega (portulaca olerácea), o agrião de água, e outras que passaram a construir-se pratos adicionais às refeições, cuja base era a polenta, carnes de porco, de galinha ou de aves, ou queijo e salame, massas, batatinha em molho... A batata doce, o pinhão, o aipim, cozidos na água, ao lado do amendoim, constituíram, por muito tempo, os quebra-fome dos “pré-pastos”, anteriores às refeições propriamente ditas”. (BATTISTEL, 1982, p. 52).   
O galinheiro também foi outra construção rústica que abrigava as galinhas á noite, e durante o dia era o local onde as galinhas colocavam os ovos e também as chocas chocavam os ovos e cuidavam seus pintinhos que mais tarde serviam para fazer uma boa sopa de agnolini ou capeleti.
 As casas no início, a iluminação era o lampião de querosene, uns até de banha.
Os colchões eram feitos de palha de milho. O relógio da maioria das famílias podia ser à sombra de uma árvore, da casa ou o sol entrando numa janela.

1.10 VESTES E CALÇADOS.


Quando os italianos vieram para a América trouxeram seu modo de vestir.
Nesta época os homens andavam de sapatos, botas, calças, ceroulas compridas, camisas de manga longa, colete, casaco e chapéu. As mulheres usavam vestidos longos até os pés. A formação social religiosa era rígida. O atentado ao pudor era considerado pecado feio, principalmente para as mulheres.
Os calçados eram fortes e duravam muito tempo.
As mulheres saiam sempre de guarda-chuvas. E nas cerimônias religiosas cobriam a cabeça com um véu:
“-Vestidões longos, largos. Havia de seda, esses eram finos, de todos os tipos. Antigamente usava-se três vestidões.
Uma saia embaixo de bombazina. Antigamente costumávamos, primeiro, a camisa; depois, a saia por cima que lhe chamavam de vestidinho e, depois, por cima de tudo, vinha o vestido.
 E sobre isto tudo ia o avental. E não faz muitos anos que deixaram de usar o avental. Iam todas ao terço com o avental e o lenço na cabeça, atado por atrás.
As que tinham muito cabelo faziam o “coque” de até “um metro” (BATTISTEL, 1982, p. 457).
Nos dias de festa os homens usavam chapéu de feltro, casaco e calça de brim riscado com barra, camisa branca sem cola e sapatos de ponta redonda.
O chapéu utilizado era feito de palha de trigo. O chapéu de trança protege a cabeça do sol e também absorve o suor, deixa ventilar a cabeça e não permite a passagem dos raios solares prejudiciais.
As mães tinham um jeito muito diferente para cuidar das crianças, pois precisavam trabalhar na roça junto com o marido:
“As mães costumavam enfaixar as crianças até um ano, um ano e meio. Diziam que as crianças enfaixadas cresciam sem deformações de pernas e braços. Além disso, as mulheres com crianças enfaixadas podiam fazer seus trabalhos sem a preocupação dos infantes caírem do berço e se machucarem. Muitas mães deixavam as crianças enfaixadas no berço e iam trabalhar na roça. Ao voltar, davam de mamar, trocavam as fraldas e enfaixavam novamente. Na Itália, provavelmente, enfaixavam as crianças por causa do frio. Se as crianças não fossem enfaixadas, com temperaturas tão baixas, poderiam congelar e morrer ao se destaparem à noite. Enfaixadas, ficavam bem aquecidas e não corriam risco de apanhar gripes, resfriados, pneumonias” (BATTISTEL, 2008, p. 222).
Os imigrantes na Itália usavam tamancos de madeira, sapatos de pau e chinelos de pano.
Aqui no Rio Grande do Sul era difícil andar entre troncos, galhos, árvores caídas, cipós, pedras e terrenos acidentados.
Com o passar do tempo os calçados acabaram, e não tinham dinheiro para comprar calçado. E como não tinham levado ferramentas para fazerem calçados e sem dinheiro para comprar, o jeito foi andar descalços.
Estes colonos criavam cascão nos pés, por isso não sentiam frio, calor, umidade, pedras e espinhos, colhiam milhos descalços, caçavam e pescavam.
Alguns espinhos cravavam nos pés e quando chegavam em casa, arrancavam os espinhos com agulha.
A moda dependia da tradição familiar, normalmente as roupas eram feitas em casa. Os alfaiates faziam à moda nas diferentes regiões, e também ensinavam esta profissão. As costureiras eram poucas, porque as moças aprendiam a costurar, pois era uma exigência para casar, no início costuravam a mão e depois com a máquina a mão. A primeira moda urbana foi a mini-saia, mas criou muita polêmica entre os mais velhos, e era falta de moral.
As moças e rapazes, lá pelos 17 a 18 anos, trabalhavam muito, para ganhar algum dinheiro e com isso comprar roupa e tirar uma foto para oferecer ao seu pretendente.
A moda foi mudando aos poucos, mas houve muita polêmica devido aos princípios morais e religiosos.
O esporte foi muito contestado e aos poucos foi esvaziando o preconceito, mesmo porque com o mundo globalizado, o interior não ficou fora e quanto a isto, não perde em nada para os grandes centros urbanos.

1.11 A RELIGIÃO.


Os imigrantes italianos que vieram para o Rio Grande do Sul, na sua totalidade, eram católicos praticamente. Mesmo que no início houvesse a falta de atendimento religioso. Contudo quando os religiosos chegaram, décadas mais tarde, o associativismo foi incorporado entre os agricultores, pois como o catolicismo, mantinha as pessoas unidas, com uma ajuda mútua.
Surge a Igreja, o campanário, o cemitério, mais tarde a escola, o clube, e por último às instituições sócio-culturais.
As maiores aspirações das famílias italianas eram ter um filho sacerdote ou religioso. Foi sempre o sonho de uma família de origem italiana.
A população colaborava em tudo, desde a construção de um capitel, uma capela, a Igreja Matriz e demais entidades ligadas à religião católica.
A missa rezada aos domingos em latim, com o padre virado de costas para o povo. As famílias iam a pé e descalços, e o calçado só era colocado quando chegava perto da Capela ou da Igreja Matriz.
As pessoas que não podiam ir à missa, iam a Capela. Lá rezavam o terço, e às vezes rezavam a missa com o livrinho da missa. Os italianos tinham o domingo como um dia santo por isso não trabalhavam:
“Enquanto o padre falava, e que nós não entendíamos quase nada, três irmãs, de habito, com vara e régua nas mãos, ficavam cuidando. Quem falasse, ou se mexesse ou fizesse barulho, ganharia varadas, reguadas e violentos torções de orelhas. As irmãs eram, por isso, antipáticas às crianças”. (Deonizio Battistel, 1979) (BATTISTEL, 1983, p. 617). 
As pessoas idosas eram muito bem tratadas, sempre com respeito e carinho, quando ficavam doentes, cada noite uma pessoa ia dormir junto, para ficar perto quando eles precisassem de algo.
O costume era rezar a noite, o creio, os mandamentos, e principalmente o terço. Normalmente nas casas tinha um pequeno altar na sala, onde todas as noites rezavam e quando tinham os vizinhos da capelinha, os vizinhos engrossavam as preces.
Todos aprendiam as verdades da fé e as orações e cada um se empenhava em rezá-las quanto mais vezes, melhor. A oração não era valorizada pela criatividade, pois eram as mesmas preces, mas pela quantidade. Quanto mais se repetiam as orações, mais santo se ficava.
Quando alguém estava para morrer, o Padre ia a cavalo para dar a extrema-unção, pois ninguém queria morrer sem esse sacramento.
Antigamente, não se cobrava nada pelos serviços prestados pelos Padres, mas todos davam alguma coisa em alimentos.
O dízimo era cobrado com trigo, milho, um porquinho, uma galinha e outras mercadorias.
Os filhos obedeciam aos pais, não era porque batiam, ou usavam vara. Os pais davam uma olhada, e era o suficiente. Os filhos não questionavam as decisões dos pais.
Até quando os vizinhos iam fazer filó, se rezava o terço, sempre ajoelhados. Os mais jovens resmungavam porque demorava muito.
O catecismo era ensinado em casa, à noite antes de ir dormir. Com o passar do tempo o catecismo passou a ser ensinado na Capela.
O catecismo consistia em perguntas e respostas, e devia ser respondida de cor. Era uma questão de honra para uma mãe saber ensinar o catecismo aos próprios filhos.
“É por isso que ainda hoje encontram-se pessoas com 80 a 90 anos que sabem todo o catecismo de cor.o ensino do catecismo era percebido pelos filhos como dedicação especial de carinho por parte da mãe. Embora atarefadas com o trabalho da roça e as lides domésticas, as mães dedicavam toda a atenção aos horários de ensinar o catecismo aos próprios filhos. Cada mãe tinha seu método de ensinar. Antônia B. Ruffato, enquanto fazia a polenta, no fogolaro, reunia, ao redor do fogo, e mais tarde, ao redor do fogão, os filhos pequenos, e enquanto mexia a polenta, ensinava-lhes o catecismo”. (BATTISTEL, 1983, p. 616).
Os pais que não sabiam o catecismo mandavam seus filhos em um vizinho que soubesse o catecismo. Até os irmãos mais velhos ensinavam os mais novos. Os livros eram raros. A decoração do catecismo era rápida para não esquecer, quase não se entendia nada, pois o importante era dar a resposta correta conforme a pergunta.
Para fazer a primeira comunhão bastava saber a primeira parte do catecismo e para fazer a comunhão solene, era preciso saber todo e de cor. Eles decoravam e vivenciavam o catecismo, como um resumo das verdades da fé cristã.
“A comunhão solene era feita turmas maiores, com uniforme, fita e vela para os meninos, vestido comprido e branco com grinalda, vela e véu para as meninas. Isto mais tarde, pois nas primeiras décadas usavam roupas comuns, andavam de chinelos, ou até de pés no chão” (BATTISTEL, 1983, p. 617).
 E quando alguém ficava doente, iam visitá-lo, levam comida, ajudar a lavar a roupa, limpar a casa e fazer outros serviços, tudo gratuitamente. Ajudavam nas plantações e nas colheitas.
Todas as mães tinham preocupação constante em educar os filhos. A primeira demonstração de carinho era ensinar a rezar, além das primeiras palavras pai e mãe. Outra maneira era ensinar a afazer o sinal da cruz e as orações. E sempre rezavam antes das refeições, na hora de deitar e levantar.
 As pessoas idosas quando não conseguiam trabalhar, rezavam dois terços ou mais por dia, e também ficavam lendo livros de orações. Muitas orações sabiam de cor, liam também a Bíblia.
Outra demonstração de fé era assistir a missa todos os domingos e quando voltava, contava todo o sermão do Padre, e tudo o que era comentado na viagem de ida e volta, bem como os negócios que faziam.
Na parede da sala, quarto, bem como na cozinha, tinha sempre um quadro de santos (Santo Antônio, Sagrado Coração de Jesus) e também crucifixo e terços.
Havia também uma capelinha que passava de casa em casa, onde era recebida com alegria e orações. Ainda hoje as capelinhas passam pelas famílias católicas. A capelinha permanecia um dia em cada família.
Nas famílias mais próximas, à noite reuniam-se para rezar o terço. Terminado o terço, fazia-se o serão. As mulheres faziam trança, para fazer chapéus e cestas, para levar a comida ou fazer compras. Os homens conversavam, contavam estórias. O dono da casa oferecia vinho, pinhão, batata-doce, amendoim pipoca. Às vezes oferecia também uva, pêssego, laranjas, limas e outras frutas da época.
Com o advento das comunicações, as famílias foram comprando televisão e o costume de rezar foi desaparecendo. Os mais novos não querem nem saber de rezar o terço. Foi trocado o terço por programas de televisão, e os quadros de santos nas paredes por calendários, imagens de cantores, atrizes e jogadores de futebol.
Muitos capitéis foram construídos por famílias por devoção, para pedir graças ou pagar promessas. Eram construídos de várias formas, sempre expressando a fé, que é a espiritualidade dos colonos.
As grutas eram em homenagem a Nossa Senhora de Lurdes, outra demonstração de fé. Umas são naturais e outras artificiais. Mas a fé continua espalhada entre os descendentes dos imigrantes italianos.
No início da colonização os Padres andavam a cavalo de uma paróquia para outra, ou para visitar as famílias. Depois trocou-se os cavalos pelo jipe e hoje com os carros do ano.
 O padroeiro da comunidade era respeitado e anualmente lembrado para comemorar a festa do padroeiro, as famílias se organizavam cada qual trabalhava em um setor, tudo gratuitamente, desde o trabalho até as doações. As famílias levavam comida de casa e compravam somente o churrasco e às vezes uma bebida. Na parte da manhã, eram todos dedicados à religião, e a tarde muita diversão, com jogos.
O padre era considera uma pessoa especial, por isso a família que tivesse um filho sacerdote, sentia-se honrada, protegida e mais próxima de Deus.
Os Padres sempre foram líderes, nas localidades promoviam a paz, o bem e ajudavam muito a incentivar a comunidade ao progresso, pois tinham além do conhecimento religioso, também o intelectual.
Os imigrantes enterram seus entes queridos, em covas na terra e colocavam uma cruz, no centro do cemitério, era uma grande cruz de madeira ou ferro.
Aos poucos, cada família foi construindo seus jazigos bonitos e bem caprichados e às vezes melhor que as próprias casas. Tudo isso mostra o grande respeito que é ainda hoje, dedicado aos antepassados.
Muitos imigrantes blasfemavam, às vezes só para mostrar que eram importantes.
“ No tempo das carroças, era tudo heresia. Blasfemavam para aparecer, por capricho, para espantar as mulas quando não andavam bem... Havia anciões que se incomodavam com os blasfemadores, diziam-lhes. “Não blasfemem.” Mas isto era ainda pior. Quem blasfema não aceita razões”. (BATTISTEL, 1982, p.356).


Para casar era preciso namorar, os namoros nos tempos passados eram muito diferentes dos de hoje.
A preocupação com a vida afetiva e sentimental dos filhos, fazia parte da visão ética da família.
Namorava-se longe um do outro. A presença do pai, da mãe, do nono, da nona durante o namoro era frequente. Se a mãe saía para fazer as necessidades, sempre ficava alguém, a irmã ou o pai. Manter a honra era o maior valor da família. Que significa proceder direito, não andar abraçados. Entre namorados conversar coisas decentes.
  Os filhos e as filhas, aos domingos, deviam voltar para casa antes do pôr-do-sol.
Os jovens dificilmente permaneciam nas capelas se não tivesse um familiar lá também.
No início muitos namoravam da capela até a porteira de casa. Somente quando os pais aprovavam o namoro, é que o namorado entrava na casa.
Educação sexual era adquirida por fora, antes do casamento, não através da tradição familiar. As moças às vezes casavam sem saber nada, e a sogra ensinava.
É o mais importante acontecimento da vida pessoal e familiar. Os casamentos eram religiosos e aconteciam assim: de manhã, na casa na noiva, era costume matar uns frangos, galinhas, e fazer uma boa sopa antes de partir. E todos vinham para buscar a noiva, a sopa era de pão e caldo. A carne era comida lessa ou um café bem reforçado.
Lá pelas oito ou nove horas iam para a Igreja casar.
No início da imigração iam a pé, e com o passar dos tempos começaram a ir de cavalo.
Os noivos iam na frente, e os que vinham atrás espocavam foguetes. A esposa seguia com o esposo, e os padrinhos atrás. Normalmente o casamento era às onze horas.
Após a cerimônia, os padrinhos convidavam os noivos e os parentes próximos para passar na bodega e tomar algumas garrafas de gasosa, mais tarde passaram a beber cerveja.
Conforme o poder econômico do noivo e da noiva se vestiam. O noivo de fatiota, colete, gravata, lenço no bolso do casaco, ou tope no lugar da gravata. A noiva de vestido branco com véu longo, ou sem véu. A foto do casamento era feita uns meses depois, e até vários anos depois. Poucos eram os presentes dos padrinhos. Depois de casados iam para a casa do noivo fazer a festa (banquete). Preparavam de tudo, frango, churrasco, massas, saladas de vários tipos, pão polenta e regada com um bom vinho colonial. Faziam também baile conforme o costume familiar:
“Após a morte de algum familiar, diziam que, antes de passado um ano, não se devia dançar. O luto também era por um ano. Se morresse alguém da família, o pai ou a mãe levava-se luto por um ano. Se era um irmão, seis meses. Se era um primo, três meses, mas hoje não se levam mais nada”. (BATTISTEL, 1982, p. 222)
Os enxovais das noivas eram simples, mas de muita importância, pois na maioria, partiam para terras novas, sem dinheiro e sem recurso. Os rapazes ganhavam a terra e algumas ferramentas para trabalhar. As moças, uma coberta para a cama, lençol, travesseiro de pena, peças de pano de algodão, bombazina, vestidos, sapatos, chinelos, lenços, toalhas, avental, tesoura, pente, espelho, meias. Este era o dote que os noivos recebiam. E era conforme o poder econômico.
Com o passar dos tempos os colonos começaram a ter mais dinheiro, então às moças ganhavam a máquina de costura e o ferro de passar de brasa.
Os rapazes levavam a máquina de plantar milho, o arado, os bois e o cavalo encilhado. O pai sempre ajudava os filhos, até que eles conseguissem andar com as próprias pernas.
 A parteira além de seu ofício, tinha a missão de entregar as crianças para as mães. Muitas famílias diziam que foi aquela velhota que trouxe o nenê. Com o passar dos anos a cegonha. Umas famílias diziam que estavam no banhado, e tantas outras maneiras de informar aos irmãozinhos o aparecimento de mais um irmão.
Geralmente as parteiras eram pessoas de certa idade. A quarentena, ou seja, o tempo após o parto, exigia certos cuidados no vestir e no comer. E também antes do parto, a mulher trabalhava na colônia uns três dias antes ou até mesmo no dia do parto.
 As benzedeiras, para muitos, eram vistas como bruxas. Principalmente para as crianças, pois elas sempre adquirir o dito poder, depois que chegam a uma certa idade.
Umas benziam os bichos e bernes dos animais. Benziam ciática, os vermes e o cobreiro.
Sacristão nas igrejas, tinham a função de rezar o terço, e mais orações quando faltava o Padre, e também ajudava o Padre nas missas. Cuidava do dinheiro, ajuntar as moedas na Igreja, tocar os sinos, cobrar o dízimo.
Tinha também os coroinhas que ajudavam o Padre a tocar a campainha, colocar água e vinho no cálice, ascender às velas, levar água benta.
Faziam-se, muitas procissões, para agradecer, e pedir, chuva, saúde e boas plantações.
Os fabriqueiros cuidavam do salão e da bodega. Tinha famílias que gostavam deste trabalho, e até pediam para ficar mais anos. Trabalhavam também como churrasqueiros.
Os avós sempre diziam: “olhem, que aquilo que é dos outros consome o que é de vocês! Nunca roubar nenhum tostão”.
Jogos nos dias de festa era o jogo de bochas, de cepo, de arquinhos e o de baralho.
Festas de Natal era com um presépio simples e sem presentes, mas uma boa festa com carne de porco, porque o porco coloca para frente e teriam sorte e progresso. E se fosse carne de galinha, esta esgravata para trás e não teriam sorte. Uns acreditavam neste dito, outros não, comiam qualquer carne.
 Na Semana Santa, havia terço, fazia-se a via-sacra. Havia também as confições, na segunda os homens e mulheres, na terça a juventude, e na quarta as crianças. Na quinta-feira eram todos juntos, fazia-se uma hora de adoração ao santíssimo. Na sexta-feira a missa dos pré-santificados, para a consumação das hóstias sagradas. E também o beijo na estatua de Cristo.
No sábado tinha missa e benção do fogo e da água. Cada família levava para casa uma garrafa de água para benzer as casas e brasas bentas para por no fogo.
Na Páscoa ia-se a missa, e depois fazia-se uma comida diferente: massa, sopa e um bom vinho.


1.12 A ESCOLA.


As escolas ficavam, nas vilas ou capelas, por isso ficavam longe de casa. Os filhos mais velhos, da família, não estudavam principalmente as moças. Em muitas famílias, os filhos estudavam em casa, onde o pai ou a mãe ensinavam, ou um irmão que sabia ler, escrever e fazer as três operações da matemática. Muitas vezes os filhos iam morar na casa de alguém que sabia um pouquinho ler e escrever, onde ficavam trabalhando e de noite faziam as lições.
Nesta época se escrevia na lousa, e tinha que decorar tudo, pois depois era apagado, para escrever outras coisas e decorar.
Aprendiam as coisas práticas do dia-a-dia, pois havia os que iam no moinho e sabiam fazer os cálculos da quantidade de sacos de cor, e o que vinha de farinha.
 As crianças estudavam 1, 2 ou 3 anos, depois iam trabalhar na roça, pois o trabalho na roça não exigia muitos conhecimentos. Os alunos que não aprendiam, ou respondiam ao professor, recebiam em troca castigos, a palmatória, puchões de orelha, varadas, de joelhos com pedrinhas ou grãos embaixo dos joelhos. Eram os pais que pediam para surrar ou castigar os filhos que não tivessem respeito com os professores ou fizessem alguma arte.
Os professores daquela época que introduziam o amor e o carinho para com os alunos tiveram muito sucesso com eles e ainda hoje impera este estilo de professor para se ter sucesso, nessa misão.
Tinha também alunos, que depois de um certo tempo, por se destacar nos estudos, passavam a estudar com os Maristas ou os Padres. Depois de estudar um ou mais anos, voltavam como professor, tinham bom estudo e uma ótima grafia.
Para muitos ir à escola, era perder tempo, pois achavam que para trabalhar na roça não precisava de estudo. O normal era cursar até o terceiro livro, sem se importar com e como aprendiam, pois há casos que os professores ensinavam a fazer o nome errado.
Os pais em casa, que sabiam um pouco, faziam o ditado para os filhos, com a finalidade de ajudar.
Jogos era pular vara, jogar bola de borracha, pega-pega, cantos, roda, o gato e o rato, gata-cega, jogo do lenço, peteca.
Quem pagava a professora, era a sociedade, e quando a professora vinha de fora, dependendo do lugar, ninguém queria hospedar na casa, sempre inventavam um desculpa. Era um grande problema.
Para muitas pessoas, a falta de estudo foi catastrófica, pois na hora dos negócios eram enganados, pois velhacos já existiam.
Iam à escola de pé descalços e só mais tarde é que os alunos passaram a ter chinelos ou tamancos.
Os livros levavam na sacola de trança ou em sacos plásticos, de açúcar. Muitos usavam o lápis só no terceiro ano e a caneta, somente os mais ricos tinham como adquiri-la.
Os que ficavam em casa, tinham que ir trabalhar descalços nos dias quentes ou frios, com gelo. Com cinco anos já trabalhavam, desde o clarear do dia, pelas oito horas comiam, polenta, omelete e vinho. Ao meio dia comiam na roça. De onde voltavam só de noite. As moças também lavravam as terras e roçavam o mato.
Com as mudanças que a sociedade foi incorporando, e as escolas pasaram a pertencer ao município ou ao estado, aonde as provas vinham prontas e aplicava-se o exame. E depois anunciavam quem havia passado ou rodado.
Os bancos das escolas eram compridos, cabia de 4 a 5 alunos cada um. Na maioria duas ou mais séries ficavam juntas na mesma sala. Os alunos que iam a cavalo no colégio, quando chovia iam com uma capa, e se tivesse um na garupa tinha que ficar de baixo da capa.
Quando arrumava um namoradinho, escrevia um bilhete, e mandava por um amigo ou amiga, ou colocava dentro da cesta de trança, sem ninguém perceber. E quando chegava em casa procurava e lia. E no dia seguinte fazia a mesma coisa. Se os pais descobrissem levava às vezes uma surra ou proibiam de ir à escola.
No começo da aula fazia-se o sinal da Cruz e rezava-se várias orações, isto na saída também.
As férias combinavam com o plantio e as colheitas:
“O povo necessitava de instruções morais, psíquicas e intelectuais. O Vigário tinha o que fazer, no atendimento espiritual e não podia dar conta de tudo. A boa vontade dos mais instruídos não bastava. Sobrava sempre uma lacuna na formação dos bons filhos desta terra. E para isto, depois de muito esforço e contando com a compreensão da superiora, das Irmãs da Congregação de São José, foram designadas quatro irmãs, para a devida ação nesta paróquia” (RIGHEZ, 1978, p.29).
 Os alunos que se destacavam e os que tinham maior poder econômico, depois de cursar o terceiro ano ou mais, iam para a cidade estudar. Às vezes, os pais deixavam sair com algumas condições; não ir em festas, baile ou namorar. Não era para todos. Uns tinham que trabalhar para pagar os estudos. Por isso a maioria ia estudar no seminário com os Padres ou Maristas, e as moças com as irmãs. Era uma maneira de conseguir estudar e receber educação, pois dessas pessoas que frequentaram os educandários da época, tornaram-se grandes lideres comunitários ou profissionais competentes.
 

1.13 INSTRUMENTOS E UTENSÍLIOS


A família italiana sempre foi numerosa. Além de ser pregado pela Igreja Católica como um dom de Deus, os filhos eram importante força de trabalho. Até não muito tempo às famílias faziam quase todos os instrumentos de trabalho em casa ou nas ferrarias. Pois os italianos vieram para cá com o objetivo de trabalhar, formar uma família e garantir o futuro dos filhos. Compraram as terras, construíram as residências e fabricavam seus instrumentos de trabalho.
O milho foi e continua sendo uma das culturas básicas dos colonos italianos. No início começou a ser plantado com enxada, depois o saraquá, que no início era uma vara forte de ponta e depois, com a ponta de ferro, apropriada para cavar entre as pedras. Mais tarde a máquina manual, e hoje as plantadeiras motorizadas.
Para a época das colheitas, os colonos faziam cestos de taquara ou de vimes, e carregavam nas costas, ou no cavalo com a cangaia um de cada lado. As cestas eram utilizadas para deixar as crianças dentro, na roça.
Quem tinha carroça, carregava o milho com cestões, e a noite descarregava a carroça no paiol.
O milho era vendido com espigas em quintais, ou em sacos debulhados.
Debulhavam o milho a noite ou quando chovia, com o auxílio de um sabugo. Outros utilizavam o ferro de debulhar milho. Depois surgiu a máquina manual de debulhar milho.
A palha do milho foi utilizada também para fazer cigarros (palheiros) e também colchões.
O trigo foi outra cultura muito importante, e deu renda para as famílias.
O plantio era feito com a enxada no início da colonização por causa dos galhos e as pedras dos morros , nas terras plainas podia-se lavrar, semear e cobrir a semente com a enxada.
Para cortar utilizava-se a foicinha, e quando ia colher fazia-se feixes, às vezes tinha até cobras amaradas. O trigo era batido a mão com um pau, e mais tarde com máquinas trilhadeiras e hoje com ceifadeiras.
Da palha do trigo, fazia-se trança para fazer chapéus, sacolas, cestinhos.
E do trigo fazia-se o pão de forno, grústuli, massa, capeleti.
O pão era amassado dentro de uma caixa de madeira, manualmente.
O ralador de queijo era feito com uma lata, furada com um prego e empregada em uma tábua.
Todos os cabos das ferramentas eram feitos em casa, com a plaina, manual.
No carrinho-de-mão, a roda era feita de um pinheiro, ou comprada a roda e depois fazia o caixão do carrinho-de-mão.
 As carroças eram feitas nas ferrarias, onde o ferreiro fazia a ferragem a fogo, na bigorna.
O pilão, os mais antigos eram feitos de um tronco de árvore cavado a mão com um enxó e fogo, serrava para socar erva-mate e fazer quirela para as galinhas, e também farinha para a polenta.
O manjolo feito de cedro para socar erva-mate. A água, era o que movia, por isso estava sempre perto de um rio, que tivesse queda de água, e fazer farinha também.
As cuias eram feitas de porongo e serviam para tomar chimarrão.
O tabuleiro onde colocavam a polenta, também era feito em casa. A polenta era cortada com um fio de algodão número 16.
O rolo de fazer massa era feito por marceneiros. A massa e o pão eram sovados dentre de uma gamela.
A minoria dos colonos tinham balança, e como a necessidade de ter era fundamental e dinheiro não tinham, então inventaram uma caixa quadrada com o cabo que cabia 8 kg, tanto de milho, bem como de trigo, e passou-se a chamar de Quarta.
A gadanha, ferramenta para cortar pasto e os rastelos, eram feitos de madeira e dentes de madeira ou pregos, utilizados para recolher pasto. O forcado de madeira foi substituído pelo de ferro.
Os espetos feitos de madeira guamerim de pinheiro, eram utilizados para espetar a carne e depois fazer um ótimo churrasco.
O bigolo, para buscar água na fonte, era feito de cipó, onde se colocava nas pontas dois baldes de madeira, um de cada lado e depois foram feitos em ferrarias.
Aonde havia pouca água, os colonos procuravam água. E para localizar as veias d’água utilizavam uma forquilha, e quando girava na mão no operador, é porque estava em cima da veia. A cada giro corresponde a 1 metro de profundidade. Depois surgem os poços, cavados manualmente, onde retiravam água com um balde, puxado com uma corda e a bomba manual e as mais modernas elétricas.
As vassouras eram feitas em casa, faziam-se três feixes de palha, depois juntava e amarrava as três com o auxílio de uma corda para deixar bem firme, e amarrava com uma vime. E por último colocava o cabo que era uma vara de mato bem forte.
Rebolos servem para afiar foices, machados e outras ferramentas agrícolas.
Empregavam-se duas tábuas, uma de cada lada de um palanque, e colocava uma madeira quadrada nomeio e fazia o cabo. Sempre de baixo de uma árvore ou no porão da casa, pois demorava bastante para afiar os instrumentos, e esses lugares eram mais cômodos.
Enxada, pegava uma árvore do tamanho do olho da enxada, cortava-se e depois tirava-se a casca, e com a plaina fazia-se o cabo, do tamanho desejado, e colocava na enxada.
Para lavrar a terra usavam o arado, puxado por cavalos, mulas, burros e bois, este era feito como cabeçalho de uma árvore do tamanho ideal, um arma prancha quadrada de 1 metro com a pá fixada nela com cabos. Com o tempo adaptaram-se vários tipos de arados.
Lavrar sempre foi trabalho de homem, mas as mulheres também lavravam, principalmente quando na família só tinha filhas.
Os filhos pequenos tocavam os bois ou iam a cavalo para ajudar quem lavrava, pois se deixava-se só o lavrador, os animais iam muito de vagar, e o serviço rendia pouco.
Os bancos para sentar na cozinha ou na sala ou para tirar leite, também era feito pelo próprio agricultor, pegava uma tábua do tamanho que precisava, na largura de 30 cm, depois colocava-se duas ou mais pernas.
Plantavam-se vimes não só para surrar os filhos, amarrar parreira e amarrar cercas, mas também para empalhar garrafões para que não quebrasse, pois eram raros e ainda faziam sextas para transportar uva ou outros produtos.
O mena-rosto, muito usado pelos colonos, quando os amigos caçavam pássaros, e depois reuniam-se para comer com polenta. Os passarinhos eram espetados numa vara e colocava alternamente um passarinho e uma fatia de toicinho com temperos verdes. Depois colocavam no mena-rosto e ia girando para não queimar, manualmente com uma manivela e hoje é girado com motor elétrico.
Agora é usado para cozinhar porco e galeto, e com espetos de ferro.
Nas terras plainas os colonos inventaram uma grade de madeira para cobrir o trigo e ser mais rápido. E se tivesse pedras e troncos, quebrava os dentes de madeira, com isso trocavam por dentes de ferro.
Mangual, o cabo é feito de madeira, camboim, e a vara de malhar é feita de cerejeira, é usado para malhar o trigo, o arroz e o feijão.
As massas eram preparadas dentro de uma gamela feita de madeira mole, o cedro ou pinheiro. Também o churrasco era preparado dentro da gamela. A maioria das famílias italianas utilizavam uma gamela pra lavar os pés antes de ir dormir, ou quando precisava para lavar outros utensílios.
Para recolher a farinha, para fazer massas utilizavam a Séssola, que é uma pá de madeira feita de cedro. E até mesmo nos moinhos coloniais era muito usada. 
No início da colonização as crianças comiam no chão e os pais sentados em um banco. Depois começaram a fazer as mesas do tamanho da família, com quatro pernas e de madeira rachada, e planeada com a plaina manual.
Os porcos quando não ficavam na mangueira, até mesmo as vacas, fazia-se uma gangalha, com três paus de madeira ou com uma forquilha de uma árvore, conforme o tamanho do animal.
   Os baldes eram feitos de madeira e serviam para guardar sobra de comida para dar aos porcos. Enchiam os baldes de madeira de vinho e tomavam nas festas, e com uma concha enchiam os copos.
Os animais precisavam do cocho d’água, então o colono pegava um pedaço de tronco de pinheiro e com o enxó, cavava até formar o cocho. Este servia para as galinhas, porcos, terneiros. Normalmente eram as mulheres que iam buscar a água com o balde de madeira, e enchia o cocho.
Na entrada das residências sempre existia um portão, feito de tábuas rachadas, de pinheiro.
Os colonos quando matavam o porco para fazer salame, codiguino, sabão e principalmente o torresmo, utilizavam o espremedor de torresmo para separar a banha do torresmo, depois guardavam o torresmo em uma cesta com sal, e aos poucos comiam com polenta ou pão.
As famílias utilizavam um cesto de vime e colocavam na estrebaria, no galinheiro ou em outro lugar para as galinhas colocarem os ovos. As galinhas eram uma fonte de renda para comprar sal, açúcar, café, linha e cadernos para as crianças. E envolviam os ovos na palha de milho para não quebrar, pois iam vender em cestas de tranças carregadas, nas mãos ou a cavalo.
Além das galinhas, os colonos construíam as casinhas pra as pombas de casa, e também para um papagaio, e outros passarinhos. Faziam sempre em cima de um palanque ou pregado na parede do galpão, cobertas de tabuinha.
Todos os anos na época dos tomates ou de frutos, os colonos conservas e chimias e para peneirar utilizavam uma peneira, que era feita com taquara trancada, ficava de forma redonda.
Os saleiros das primeiras famílias italianas foram feitos de madeira, e depois era pendurado na parede.
As armadinhas para pegar passarinhos, tatus ou prender graxains e outros animais selvagens eram feitas de madeira, com ripas trançadas ou empregadas em forma de caixas, e para os animais maiores eram caixas com um alçapão.
Os carinhos de lomba era uma tábua com um eixo traseiro, e o dianteiro era dirigido com os pés, e ao longo do tempo com o volante.
 Não tendo o carinho, muitas crianças usavam a caixa que prende o cacho do coqueiro, iam dentro e desciam o morro, ou alguém puxava.
A necessidade de criar seus próprios instrumentos de trabalho, e de lazer, desenvolveu nas gerações de origem italiana, à vontade e o espírito de inovações nas atividades não só agrícolas, mas também para as indústrias, que podemos conferir no progresso, que as cidades onde os italianos se fixaram, cresceram se desenvolveram e continuam perseguindo o progresso. E um povo que tem medo de gastar e não gosta de jogar fora nada, pois tem em mente que quanto menos se gasta comprando, mais sobra por isso fabricar é uma exigência.
Sair da Itália, buscar novas terras, deixando para trás, toda uma cultura, parece-nos loucura, mas do jeito que aquelas pessoas viviam, tornava-se imperativo uma decisão.
Quem teme uma decisão é porque tem um sonho. Correr atrás desses sonhos, os italianos nos ensinaram como fazer, mesmo que para isso seja necessário sofrer.
O sonho, a decisão e o trabalho, impulsionam para a vitória, dando o prazer de sentir orgulho de fazer parte da construção de um país.

CAPITULO II:

2 RIGHÊS E RIGHEZ

2.1 ADIO ITÁLIA


A grande emigração da Itália para o mundo, a partir e 1875, começa com a decisão de uma família, de um grupo de famílias. Este pensar começa em um vilarejo, num município ou de uma província, como foi ocaso da Itália e principalmente de Pietro Righês, à qual seguia uma grande discusão, e às vezes o conflito entre a família. O maior problema era as pessoas mais velhas que não admitiam perder seus filhos, pois a viagem era incerta, podiam nunca mais retornar e poder viver juntos.
E a família Righês é natural de Suspirollo, província de Belluno ao norte da Itália. Eram pobres e com poucas perspectivas de dias melhores e um futuro digno.
 Viviam como meeiros, trabalhavam em uma pequena fazenda de um general, cuidando da criação de gado, plantações de milho e trigo. Todos os dias tinham que tirar o leite, cuidar da limpeza dos estábulos, cortar e plantar pasto, pois as vacas eram mantidas estabuladas. Tudo isto porque as terras eram poucas e tudo tinha que ser aproveitado.
Quando fazia muito frio, às vezes tinham que dormir junto com os animais para esquentar-se, pois as roupas eram poucas e dinheiro para comprar não tinham.
Trabalhavam também no plantio de trigo e milho. Os donos das terras viviam nas cidades e não se preocupavam com a situação de uns e outros, uma vez que recebiam um bom lucro.
O relógio era o sol, pois começavam a trabalhar bem cedo e trabalhavam até que fosse bem escuro. Tudo era registrado tanto as compras, vendas e trocas de mercadorias em um caderno, não escapava nada.
E cada vez mais a família de Pietro Righês enfrentava problemas de sobrevivência e não tinham uma vida digna, como pessoas humanas e às vezes até humilhante. Nada melhor do que possuir uma propriedade para si e seus descendentes, aonde pudessem plantar e colher frutos de seu trabalho. Foi então que surgiu a idéia de emigrar. Já diziam que na América estava a cucagna e a vida era melhor.
Embora a situação que estavam vivendo de pobreza, fome e, por vezes, de miséria que viviam na Itália era angustiante, foi que os filhos e netos emigraram, esperando dias melhores, sempre com a benção e proteção de Deus.
Mas as novas famílias que iam se constituindo adotaram a nova pátria e ao mesmo tempo pensaram ter seu próprio chão.
Tiveram que contrariar a vontade dos pais e avós, e tinham que chegar a um consenso. Muitos se sentiram na obrigação de apostar em desobedecer os pais, e fazê-los chorar, porque era uma grave trascresão ao quarto mandamento, que ordena: “Honrar pai e mãe”.
As famílias que emigraram eram agrícolas, pobres, muitos arrendatários, meeiros.
As mulheres exclusivamente trabalhavam no lar, com empregadas em propriedades rurais.
Milhares de famílias saíram de suas casas, talvez, vendendo-as, ou mesmo abandonando-as. Viajando em trens, carroças, e até mesmo a pé, carregando todos os seus pertences, percorriam grandes distâncias até o Porto de Veneza.
Com poucas informações sobre o Brasil, ou talvez, informações de que era uma terra promissora, mas selvagem, os imigrantes precaviam-se trazendo toda a sorte de bagagens: utensílios domésticos, máquinas de costura, instrumentos musicais e de trabalho, relíquia da família, e objetos que lembrassem sua terra natal. Geralmente não possuíam malas, e seus pertences eram transportados em sacos, sacolas e caixas improvisadas.
Como naquele tempo as coisas não andavam fáceis para os italianos, e havendo um grande incentivo do governo para a emigração, Pietro com uma experiência de vida de dar inveja, e claro, muita coragem, resolveu emigrar para o Brasil.
Emigrar era superar a forte vinculação familiar da convivência, o amor aos filhos, o sucesso na vida, estavam dentro da filosofia dos avós.
No início foi muito difícil aceitar a emigração, mas depois veio o apoio, a benção e votos de um futuro melhor para as famílias que partiam para a América.
As lágrimas de despedida eram tantas, pois aos poucos, à medida que iam se distanciando dos vilarejos, apenas avistavam a torre da Igreja a montanha, e cada vez mais perto do Porto, iam substituindo a ânsia crescente de um dia poder escrever para os pais que ficavam, e dizer que tudo foi bom e deu certo.
Pietro Righês saiu de Belluno em 1890. Não saiu sozinho. Trouxe consigo sua esposa Giovana Troiam e seus 5 filhos: Clarinda, com 15 anos; Giuseppe, com 12 anos; Luigi, com 11 anos; Margarida, com 9 anos; Giuseppina, com 6 anos e 6 meses. Deixou para traz seu pai Giuseppe Righês e sua mãe Depoiam Vicenza, e outros parentes. No Brasil já estava seu primo Carlos, estavam em Ana Rech, Rio Grande do Sul.
Eram embarcados na terceira classe, geralmente localizada nos porões dos navios, e com lotação acima da capacidade. No final do século XIX as viagens já eram feitas em vapor, mais rápidas que os navios a vela, porém com péssimas instalações, pois geralmente eram navios de carga e adaptados para o transporte de passageiros.

2.2 A VIAGEM


Tratava-se de uma decisão heróica dos emigrantes, bem como de Pietro, Geovana e seus filhos. O trajeto percorrido pela família Righês, era feito por carroças puxadas por mulas. A outra parte era feito de trem, até Genova que era o ponto de embarque de todos os navios que demandavam para a América.
A saída certamente cheia de lagrimas e nós na garganta, um adeus e até breve, cheios de soluços, tudo isto fazia parte das cenas de despedidas, pois o cenário era o oceano, as lágrimas eram tantas, até se transformar em nova pátria criada com coragem e perseverança:
“A dor era tanta: tanto dos que partiam como dos que ficavam”. (COSTELA, Gentil, p. 13).
Conforme passaporte de Pietro Righês que na data de 08 de novembro de 1890, Pietro e sua família partiram da Itália rumo ao Brasil, mais precisamente no Rio Grande do Sul.
Em Genova compraram a passagem para o Rio de Janeiro e esperavam vários dias, até embarcar no navio. Segundo relato de familiares, os navios saiam superlotados, com falta de higiene e pouca comida.
Do Porto de Genova, passava-se pelo Estreito de Gibraltar que divide a Espanha da África. Depois de passar este canal natural, o navio entrava no Oceano Atlântico, com destino ao Porto de São Vicente.
O Porto de São Vicente era parada obrigatória para reabastecer os navios, para o restante da viagem, pois agora era a parte final da viagem, até atingir terras brasileiras.
Daí adiante a paisagem era água e céu, céu e água. O que mais variava era o calor, que às vezes era insuportável.
Segundo a memória familiar, depois de passar 40 dias no mar, finalmente chegaram ao Porto de Guanabara. Os recém chegados, eram recolhidos nos barracões, situados nas ilhas próximas. Pietro e sua família ficaram hospedados na Ilha das Flores, no Rio de Janeiro.
As pessoas que morriam eram jogadas no mar e os que estavam quase morrendo também eram jogados no mar, pois havia um padre que dava a extrema-unção.
No Rio de Janeiro ficam dois dias, a fim de serem legalizados, como imigrantes. Com o visto de estrangeiros em mãos, saíram do Rio de Janeiro, com destino ao Rio Grande do Sul.
Chegando ao Porto de Rio Grande, seguiram com outro navio menor através da Lagoa dos Patos até Porto Alegre. De Porto Alegre, até São Sebastião do Caí, seguiram com uma embarcação menor pelo Rio Jacuí. Daí em diante, o destino era Caxias do Sul, mais precisamente Ana Rech.
As carretas transportavam os pesados baús e as mulas às bagagens mais leves, dentro de bruacas, os imigrantes iam a pé e as crianças, que não podiam ir no colo, eram colocadas dentro de jacás, em cima de uma mula.

2.3 A PROCURA DE UMA PROPRIEDADE


Caminhando todos a pé, atrás das carretas e das mulas. Pelo caminho ficavam admirados em ver as terras dos alemães, com suas lindas roças de milho e feijão, seus potreiros com suas vacas bem nutridas e suas lindas hortas perto de casa.
Ao anoitecer sempre chegavam nos barracões, construídos ao longo do caminho para descansar. E no dia seguinte começavam novamente a caminhada. As estradas eram estreitas, cheias de curvas e morros.
Até que enfim chegaram em Caxias do Sul, ali foram levados a um barracão, lotado de imigrantes e ficaram até encontrarem um local definitivo.
Ali foi informado que seus primos Carlos e seus irmãos estavam morando em Ana Rech. 
Pietro sempre foi um homem decidido, e logo começou a perguntar: onde estavam morando seus primos? E foi informado por um Padre que eles estavam em Ana Rech.
Saiu com um guia para encontrar seus primos. E chegando foi muito bem recebido, pois estavam esperando há muito tempo e também queriam saber das novidades da Itália e seus familiares.
Finalmente pode almoçar bem, pois a famosa polenta, o salame e verduras chegaram para dar um novo ânimo a este imigrante, que estava à procura de uma propriedade, ser dono de um pedaço de terra e viver dignamente.
Depois voltou para buscar a família, para ir morar junto com os primos, que eram solteiros. Pegou as malas com as roupas, santos, um crucifixo e mais ferramentas que seriam úteis para construir a casa, bem como todas as benfeitorias.
Aqui e ali, encontravam casinhas habitadas por imigrantes, que haviam adquiridos a sua colônia. E eram bem recebidos por todos os que encontravam, e ao mesmo tempo eram animados, a prosseguir a difícil tarefa de derrubar a mata, plantar e construir a casa sonhada, o que finalmente se tornaria realidade.
Começaram a ver bugios que pulavam de galho em galho, e tantos outros animais e pássaros.
Depois de uma longa viagem, que se prolongou por mais de 60 dias, agora era só trabalhar e fazer desta região, um exemplo de reforma agrária para o Brasil.
Finalmente chegaram em Ana Rech na colônia dos primos Carlos e seus irmãos, aonde foram bem recebidos.
 Pietro, Geovana e seus filhos: Clarinda, Giuseppe, Luigi, Margaritha e Josefina, estavam finalmente morando em uma casa, com mais comida, mas agora tinham que começar tudo de novo.

2.4 ANA RECH


Viram tanta fartura nos matos, e comiam tantos frutos que a natureza lhes oferecia, que tudo lhes parecia possível.
Mais tarde conseguiram comprar 22 alqueires de terra, e já eram donos de uma propriedade tão sonhada.
Pietro e seus filhos começaram a derrubar a mata. E era tão lindo de ver as árvores cair e fazer um barulho nunca visto antes, que escoava pelos montes.
Depois queimavam as roças e quando tinha taquara, era um verdadeiro tiroteio, que às vezes lembrava a ocupação da Itália pela Áustria.
O plantio do milho era feito com o saracua e as roças quase não precisava limpar.
Depois da colheita do milho, plantava-se o trigo e outros produtos essenciais para a família.
A mata foi sendo desbravada e o progresso vinha junto, com ótimas colheitas.
As primeiras fruteiras foram plantadas, bem como as parreiras que mais tarde iriam produzir uva para fazer um vinho de tchodo.
A colônia foi crescendo, e as primeiras vacas foram compras juntamente com as galinhas e os porcos.
A casa já estava construída pelos antigos moradores, com tábuas rachadas e coberta de tabuinhas, também rachadas, a cozinha era de chão batido.
A casa era separada da cozinha, pois se pegasse fogo à cozinha, a casa estaria livre.
Com o passar do tempo, a terra foi se esgotando, pois não era uma terra muito fértil, e nos últimos anos já não produzia o suficiente para sustentar a família.

2.5 SÃO MANOEL (CAMPETRE DA SERRA, VACARIA)


Pietro Righês e sua família saem de Ana Rech, tentando encontrar a cucagna e uma nova propriedade com fartura.
 Os primos Carlos e Antônio ficaram em Ana Rech. Vieram solteiros para o Brasil, e não casaram. A única notícia que se tem deles, é que morreram e deixaram suas terras. Como nenhum dos parentes se interresaram pela herança, pois não os visitaram mais, com isso perderam o contato, e as terras ficaram para a prefeitura.
O tempo que moraram juntos foi bom. Os filhos de Giuseppe contavam que na época dos pinhões, eles catavam pinhões, e a noite comiam e bebiam muito vinho. Dessas noitadas saiam muitos causos, que faziam esquecer as dificuldades da vida.
Em São Manuel, compraram 10 alqueires de terra, perto do Rio das Antas. Neste local, tinha uma casinha com algumas árvores frutíferas, mas ainda tinha muito a fazer. Fazer a mangueira dos porcos, o galinheiro, um pequeno parreiral, o potreiro das vacas para tirar o leite para dar aos filhos.
Muitas vezes Pietro e sua família, pensaram em voltar, pois os problemas eram tantos. Tudo era distante e difícil, mas a fé e as orações sempre lhes deram coragem de prosseguir adiante, vencer e um dia poder dizer, tudo é possível, basta querer e seguir em frente.
Como o dinheiro era tão difícil de ganhar com as plantações, e também eram novamente explorados pelos comerciantes. Aqui tudo era trocado por mercadorias, e o dinheiro que sobrava era pouco para comprar novas terras para os filhos.
Foi Pietro teve que partir, juntamente com seus dois filhos, e ir trabalhar nas fazendas, como empregado. O serviço encontrado foi fazer cerca de pedra (taipa). Quebravam as pedras com a marreta e depois carregavam na carroça e levavam até o local que faziam à cerca. Ajudaram a fazer as taipas onde passavam os tropeiros. Ali eram feitas duas cercas, uma de cada lado da estrada. Os tropeiros passavam com o gado e estes não se perdiam nas matas. Esta foi à tecnologia utilizada nesta época.
 Saiam na segunda-feira com os dois rapazes, Giuseppe e Luigi e só voltavam no sábado. Passavam toda a semana usando a mesma roupa. Tinham outra apenas para trocar quando voltavam. Dormiam nos galpões, com poucas cobertas e às vezes ficavam molhados e secavam a roupa com o fogo que esquentava o café, ou o almoço e principalmente à noite. À noite jantavam. E apenas lavavam as mãos e os pés para ir dormir.
Sempre antes das refeições rezavam, e também antes de ir dormir e ao levantar, para pedir bênçãos e forças, e para agradecer, que a família permanecesse sempre unida.
Geovana e as filhas Clarinda, Margaritha e Josefina, ficam em casa trabalhando na roça, plantando milho, feijão, trigo e outros produtos. E ficam ansiosas esperando a volta. Também rezavam muito, e quando voltavam eram aguardados com muita alegria. Aos domingos se possível, sempre iam a missa ou iam na capela rezar.
  Mas aqui também não estava fácil, os problemas se agravavam, devido ao local ser muito montanhoso, e a falta de amigos era um empecilho para continuar a morar nesta localidade.
 Pietro encontra-se com a família Bortolotto, que os convida para ir morar em outro local, com terras plainas e perto das famílias que tinham vindo junto da Itália. Volta para casa e conta que o amigo tinha indicado um bom lugar. Entram em acordo, vendeu a terra e em troca recebeu uma vaca de leite, uma terneira, e mais algumas outras coisas de pouco valor. E carregou todos os seus pertences em sua carroça, que era puxada por cavalos. Os filhos seguem a cavalo, e a mulher e as filhas um pouco a pé ou a cavalo. Seguem rumo à nova propriedade, na Capela de São Brás de Ipê.

2.6 SÃO BRÁS (IPÊ, VACARIA)


Novamente a família Righês estava à procura da cucagna, da fartura e uma vontade louca de acertar.
Na Capela São Brás, são comprados 24 alqueires de terra, quase toda plana, com banhados, muita samambaia e bracatinga. Nesta localidade fizeram muitos amigos, e tiveram a alegria de reencontrar as famílias que vieram junto da Itália ao Brasil. Neste local não tiveram muito sucesso, pois as terras eram pobres e produziam pouco.
Como a família Bortolotto era muito amiga da família Righês, e estes se visitavam todos os domingos, então resolveram ir morar mais perto, pois tinha uma família vendendo um terreno.
Permaneceram em São Brás somente um ano. E neste tempo continuaram a trabalhar nas fazendas, para acumular mais dinheiro. O local onde morou a família Righês, hoje mora a família Cerom, que fica em frente à capela e passa a estrada de Segredo ao Ipê.

2.7 CAPELA SÃO MIGUEL (LINHA PAIM, IPÊ).


Ainda não havia encontrado um lugar que fosse agradável e que pudesse tornar-se real. Os amigos eram ótimos e a total maioria já conheciam, todos eram divertidos e compreensivos.
Pietro nesta capela comprou 30 alqueires de terra, mais plana e já habitada e com todas as infra-estruturas prontas. Agora talvez seria o local próprio para fixar-se e progredir, tudo era possível.
Os primeiros imigrantes que chegaram neste local foram os poloneses.
Aqui a vida começa a mudar, pois os filhos começam a namorar. A propriedade começa a crescer e a fartura parecia estar chegando nesta família humilde que lutava e sofreu muito para conseguir vencer.
E a luta continuava, Pietro e seus dois filhos ainda iam trabalhar fazer taipas, mas desta vez mais longe, porque o preço era melhor e a idéia era comprar mais terras para os filhos homens, pois era a herança que os filhos recebiam quanto mais terra, mais famoso era o moço. Desta vez foram trabalhar em Bom Jesus e em são José dos Ausentes.
Continuavam a sair na segunda-feira bem cedo, e demoravam um dia pra chegar no local, na fazenda do Coronel Avelino Paim. Trabalhavam muito, pra poder ganhar mais, dormiam no galpão, no pasto em cima dos pelegos. Ali sim sentiram muito frio e recordaram como era a vida na Itália.
O que sempre acompanhou foi o terço, as orações e principalmente a fé em poder vencer e ser feliz. As colheitas começaram a ser mais abundantes, pois as terras eram melhore, com isso deixaram de ir trabalhar longe de casa. Fizeram muitos amigos nestas andanças.
Como Pietro sempre foi um homem muito corajoso, teve outra idéia. Colocou um barzinho junto ao pouso que existia neste local. Ali as pessoas passavam e iam para a Vila Segredo.
Os filhos já eram todos moços, e chegou o momento de ter uma companheira, e as filhas um bom moço, com honra e de uma família honrada.
Nesta época os rapazes tinham um cavalo bonito, com toda sua montaria. Semelhante aos carros de nossos dias, pois os cavalos eram para o passeio e não para o trabalho.
Na Capela São Miguel casaram todos os filhos de Pietro e Giovana Toiam Righês. Giuseppe casou-se com Maria Scopel, em Vila Segredo. E teve sete filhos: Thereza, Ângela, Cristiana, Genoveva, Lúcia, Vitória, João e Francisco. Clarinda Righês casou-se com José Boff, em Sananduva, Linha Pessegueiro, Rio Grande do Sul. Este casal teve 11 filhos. Luiz Boff casou-se com Romilda Testa e tem 6 filhos, e morou em Sananduva, Rio Grande do Sul. Josefina Boff casou com Lauriano Spanol e tem 10 filhos, e morou em Sananduva, Rio Grande do Sul. Carona Boff casou com João Perim e tem 10 filhos, e mora em Coronel Vivida Paraná. Joana Boff casou com José Menin e teve 7 filhos, um deles é padre e morra em Itatiba do Sul, Rio Grande do Sul. Rosa Boff casou com Antônio Ragoso, teve 10 filhos e morra em Coronel Vivida, Paraná. Pierina Boff casou com Valentin Menin, teve 10 filhos, e morra em Amperes, Paraná. Santina Boff casou com João Rafain, teve 10 filhos e morra em Paim Filho, Rio Grande do Sul. Tereza Boff casou com Francisco Bonbarda, teve 9 filhos, mora em Sananduva. Ângela Boff casou com Antônio Rafain, teve 4 filhos, foi morar em Laranjal do Sul, Paraná. Maria Boff casou com Jacó Lazarin, teve 4 filhos e foi morar no Paraná. João Boff casou com Pierina Lorenzi, teve 9 filhos, ainda morra em Pessegueiro, Sananduva, Rio Grande do Sul. João Boff é o único filho de Clarinda e José Boff, que ainda está vivo. E conta com 86 anos de idade e Pierina Lorenzi com 76 anos de idade. Morou sempre na casa de seus pais e os cuidou muito bem.
Margaritha casou com Domingos Bizotto e foi morar em Vila Segredo, teve 10 filhos. Valentim, Luiz, Ângelo, João, Paulo, José, Antonia, Tereza, Maria, Fiorindo. Josefina casou com Luiz Susin, teve 1 filha, e foi morar em Ibiaça, Rio Grande do Sul. Luigi casou com Maria Basso, em Vila Segredo e teve 14 filhos.  Joana casou com Claudino Fontana. Pedro casou com Ermínia Maraschin. Valentin casou com Margarita Piamolini. João casou com Olinda Meneguso da Silva. Vicente Casou com Arminda. Jaques causou com Irma Moschen. E a Segunda Mulher foi Ermelinda Menegatt. Antonio casou com Gloria Sarreta. Marcelino casou com Generosa Menegatt. Rosa casou com Francisco Piamolini. Inês casou com Jaime Paim. Eliza ficou solteira e sempre trabalhou no Hospital São José de Antonio Prado. Ermelinda casou com Norberto Fidélis. Amabele casou com Tranqüilo Vilan. Ângelo Casou com Zélia Agustini.
E depois se casou novamente com Serafina Scopel, irmã de Maria Scopel e teve 6 filhos. José casou com Etelvina Parizotto. Agostinho casou com Vilma Parizotto. Terezinha casou com Silvino Benetti. Catarina Casou com Valdemiro Panisson. Assunta casou com José Dalagnol. Madalena casou com Osvaldo Zampieri.
Em São Miguel da linha Paim, Giovana Troian faleceu e foi sepultado no cemitério da Capela São Valentin, Ipê.
 Depois de 14 anos surgiu à oportunidade de comprar mais terras, pois as famílias iam crescendo desta vez foi na Linha Pereira de Lima, Vila Segredo, Ipê.
Na propriedade onde morou a família Righês em São Miguel, hoje mora a família de Miliota Tieppo. Por incrível que pareça sempre existiu um banhado em todas as propriedades de Pietro Righês.

2.8 VILA SEGREDO


Pietro Righês e seus dois filhos constroem uma casa na Linha Pereira de Lima em Vila Segredo, e depois vão morar juntamente com suas esposas e filhos.
Giuseppe veio com suas 4 filhas: Pierina (irmã Cristiana), Ângela, Tereza e Lúcia.
Luigi também segue, junto com seus 6 filhos. E foram morar todos juntos na mesma casa. Cada dia era um verdadeiro banquete. Aqui sim a cucagna estava chegando:
“As terras estavam atiradas ao deus dará, mas, pelos idos de 1900, apareceram os primeiros colonizadores, que pouco a pouco foram comprando as inúmeras quadras. Eram, na maioria imigrantes italianos: Grazziotin, Araldi, Vazatta, Brollo, Panisson, Righez, Rigo, Olivo, Furlan e Corso”. (RIGHEZ, José Cláudio, 1978, pág. )
Neste local foram compradas oito colônias de terra. Giuseppe Righês ficou com 40 alqueires e Luigi mais 40 alqueires de terra.
Depois de 14 anos morando junto às duas famílias, Giuseppe constrói uma casa em sua propriedade. E Pietro vai morar junto com Giuseppe, e Maria juntamente com seus 7 netos.
O local onde viveu Luigi, morou seu filho Agostinho, falecido. E hoje morra seu neto mais novo Antoninho Righês.
Pietro finalmente encontrou a propriedade tão sonhada e a cucagna se tornou realidade.
Nesta propriedade tudo era mata virgem. Aqui foi construída a casa separada da cozinha, para que a casa estivesse livre de incêndios, se no caso pegasse fogo a cozinha. O galpão para tirar leite das vacas, e guardar o milho e o pasto. Também o chiqueiro, o galinheiro, o parreiral, o potreiro e mais benfeitorias.
Todos estes bens foram construídos de tábuas rachadas de pinheiro.
Se no caso, um pinheiro não era de boa qualidade, então derrubava outro, pois existia fartura de pinheiro.
O parreiral foi sendo plantado, também de palanques rachados com o machado, cunha, e o maio (massa), depois tudo era amarrado com vimes, ou corda de mato.
As cercas eram feitas de pedra (taipa), pois já eram profissionais. E também de tábuas rachadas, e amarradas com vimes.
As notícias da Itália e locais eram lidas no Jornal Estafeta Riograndense que eram escritos, partes em dialeto e em Português.
Pietro aprendeu a ler e escrever ainda em Belluno Itália e no Brasil aprendeu o Português juntamente com seus filhos, mas o dialeto foi preservado.
Depois de muitos anos vivendo no Brasil e ter deixado a terra natal, parte para a eternidade com seus 96 anos de idade. Pietro ficou doente dois dia. O velório foi na casa, a missa foi na igreja matriz e o sepultamento no cemitério da vila Segredo.
Aqui termina a trajetória de Pietro Righês, que deixou muito para nós, que é a vontade de acertar e que tudo é possível. A coragem, a honestidade, a simplicidade e principalmente a fé em Deus.
Giuseppe Righês e Maria Scopel Righês tiveram mais quatro filhos na Vila Segredo: Genoveva, Vitória, João e Francisco.
A partir deste momento será relatada somente família de Giuseppe e Maria, pois perdeu-se o contato e pouco se sabe dos outros filhos de Pietro Righês e Giovana Troian Righês.

2.9 A FÉ DA FAMÍLIA


Dentre as devoções que os italianos trouxeram, está à reza do terço com a família de Pietro, esta devoção em certas famílias ainda se perpetua, mas com menos fervor.
Na época a reza do terço tornou-se uma regra, para depois do trabalho diário e não havia motivo nenhum para suspender, mesmo que faltasse alguém da família.
As pessoas mais jovens não gostavam de rezar o terço, reclamavam, faziam cara feia, mas não adiantava. A reza do terço não era só familiar, mas era motivo para um filó, pois a capelinha que ainda hoje circula na Linha Pereira de Lima,, era um chamado para que mais famílias da vizinhança se reunissem para rezar o terço. Hoje já é com menos frequência, pois a famílias diminuíram no interior e os jovens têm outros atrativos.
Aos domingos era consagrada á oração e a missa principalmente. Quando não havia missa na localidade, alguém da família ia até Antônio Prado, a cavalo para rezar assistir á missa e pedir a benção para a família.
Com o surgimento da Paróquia São Pedro na Vila Segredo, tudo ficou mais fácil, pois havia vigário e missa todos os domingos. Com isso as famílias iam rezar, uns a cavalo outros a pé com os sapatos ou chinelos nas mãos e descalços e quando chegavam perto da igreja lavavam os pés e colocavam os sapatos, com isso estavam limpos para entrar na casa de Deus. A missa era em latim, ninguém entendia nada. O Padre rezava de costas para o povo, e os fiéis rezavam outras orações. As mulheres voltavam antes para preparar o almoço, juntamente com as crianças, tiravam os sapatos e voltavam novamente descalços.  Os homens ficavam fazendo negócios, conversando com os amigos e voltavam mais tarde contando causos em grupos. E ainda tinham tempo para parar na casa do Giuseppe Righês e tomar uns copos de vinho.
Os rapazes e moças ficavam mais um pouco para conversar com os amigos, depois voltavam e os rapazes tentavam conquistar as moças e nem sempre dava certo, pois às vezes as moças mandavam não os aceitava e estes voltavam sérios e brabos.
A parte da tarde ficava ocupado com caçadas ou jogos de cartas nas casas dos vizinhos. Trabalhos só os necessários, pois havia um ditado que dizia “quel que se fá de festa, entro pra porta e fora pela finestra”.
Os jovens às vezes iam nas capelas, mas antes do sol descer deviam estar em casa ou pelo contrário eram considerados jovens não bem vistos pela sociedade.
A fé uniu as famílias, que por mais serviços que tivessem em casa, sempre sobrava tempo para ajudar a construir as capelas, igrejas e salões de festas, que ainda hoje permanece como prova viva da fé no meio rural.
Estas construções tinham a presença forte da fé e a crença em uma autonomia conjugada com a independência, que estava sufocada desde a saída da Itália. Desse desejo brotaram as capelas, a igreja matriz toda de pedra:
“Passaram-se 10 anos de trabalho generoso de todo o povo. Estava pronta a Igreja, toda de pedra, em estilo romano. Foram gastos 153 contos. Ainda foi comprado o mosaico, no valor de 12 contos, e mais as janelas, que custaram 18 contos. Foram empregadas 18.760 pedras, trabalhadas a mão”. (RIGHEZ, José Cláudio, 1978, p. 21).
Com a influencia e a liderança do Frei Juvêncio construiu-se o Hospital Beneficente São Pedro, no qual a família righez muito contribuiu, com madeira e dias de trabalho gratuitamente:
“Vencidas todas as dificuldades , no dia 3 de fevereiro de 1958, foi solenemente inaugurado o hospital.
A festa foi preparada com um solene tríduo. No dia da inauguração, devido ao mau tempo, muitos convidados não puderam comparecer”. (RIGHEZ, José Cláudio, 1978, p.31).
As cooperativas também tiveram a contribuição da família Righês como: a cantina de uva São José da Vila Segredo, por motivos econômicos foi vendida a vinícola Zanotto de Campestre da Serra:
“Cantina – a tradição dos imigrantes italianos trouxe à este recanto do Rio Grande do Sul o gosto pelo bom vinho. Embora o terreno seja um tanto acidentado, mas com terras férteis e clima favorável, grandes parreirais foram aqui plantados, proporcionando uvas de boa qualidade em grande quantia e gerando bons lucros aos agricultores”. (RIGHEZ, José Cláudio, 1978, p.37).
A cooperativa São Sebastião de Ipê, Cooperativa agropecuária Pradense de Antônio Prado, que hoje quase não consegue se manter por ter perdido o espírito de união e partilha.

2.10 CASAMENTOS


Os casamentos seguiam com os mesmos rituais de umas décadas passadas, ou seja, o namoro, o noivado e o casamento. Diferente era o respeito desde o início do namoro até que os casais estivessem vivos, com alguma ressalva.
O namoro começava com o rapaz pedindo para a moça se aceitava junto, normalmente voltando da missa, de uma festa ou da capela aos domingos.
Se ele estivesse a cavalo, apeava e pedia se aceitava junto, no caso de ser positivo continuava caminhando puxando a cavalo um longe do outro, no caso de ser negativo o rapaz voltava resmungando, pois os colegas gozavam e diziam que ele não era homem o suficiente para conquistá-la.
Para namorar o rapaz devia ter a licença da família, no início o rapaz chegava até o portão somente quando ele tinha preenchido os requisitos da família da moça ele podia entrar na casa e namorar.
Para namorar a moça ficava conversando com o rapaz sempre na presença de uma pessoa da família, o pai e a mãe ou uma irmã mais velha, era uma tortura, mais conversava os pais com o rapaz do que a moça.
O rapaz sabia a hora de ir embora, sempre antes do anoitecer, ou quando alguém começava a surrar os gatos ou também fazer barulho com as panelas, empurrar bancos e cadeiras.
No dia do casamento. Como não havia carros, todos seguiam a cavalo ou de carroça.         
As festas de casamento eram para o dia todo, desde o café da manhã, almoço e janta. O casamento oficial era realizado às onze da manhã. Era festa mesmo, finalizando com o baile até o dia amanhecer, usando o instrumento como a gaita. O baile era realizado no galpão, tocava a noite inteira, tomava-se vinho, comia a noite toda. E quando o gaiteiro estava cansado pegava a gaita colocava nas costas, montava no cavalo e fim de festa.
A fé desta família está manifestada na presença de religiosos e padre, que ainda hoje não só trabalham no Brasil, como também no exterior, o que é confirmado no histórico das famílias dos descendentes. Aonde para as famílias era um dom de Deus ter um religioso na família. Na família temos a Irmã Cristiana Righes, filha de Giuseppe Righes e Maria Scopel Righes, as Irmãs Elza Menegatt e Zélia Menegatt, filhas de José Menegatt e Ângela Righes Menegatt. E por ultimo o Padre Diocesano Lourenço Sétimo Righez, filho de Francisco Righes e Sabina Panisson Righês.

2.11 A VIDA NA ROÇA


As derrubadas das árvores para fazer as roças eram feitas de machado, foice e serrotes de vários tamanhos. Com o machado fazia-se a boca nas árvores para que as mesmas não rachassem e caíssem mais fácil. Depois começava a serrar com o serrote de 1.50m de comprimento, uma pessoa de cada lado. Na família de Giuseppe Righes, as moças também faziam este trabalho, pois os filhos homens eram mais novos.
Às vezes as derrubadas tornavam-se até um divertimento, pois o barulho do progresso as somente quando as árvores caiam e ecoavam pelos montes. Às vezes derrubavam as árvores som para ver o tombo e ouvir o forte estrondo.
Depois de terminada a derrubada, esperavam-se umas semanas para secar as folhas das árvores, para ser queimada a roça.
Na queimada das roças era um divertimento, pois havia também taquaras que estouravam iguais a um fogueteiro em dia de festa.
Também eram queimadas muitas cobras como: a jararaca, a cascavel, cobras verdes, e outras tantas. Encontravam-se as cobras com a boca aberta, totalmente torradas.
Às vezes o fogo ficava queimando nas árvores secas por várias semanas, e quando o fogo queimava além da roça, era um sofrimento, pois tinha que apagá-lo com capoeiras, batendo no fogo até apagá-lo.
Nas queimadas os vizinhos sempre ajudavam, e a tocha era uma taquara seca, batia a ponta para ficar rachada e o fogo não morria.



2.12 AS PLANTAÇÕES


As plantações eram feitas uns dias após a queimada, devido à sobra de brasas e a maioria dos colonos andavam descalços.
Normalmente era plantado milho com o implemento usado na época que era o “saraquá” (instrumento utilizado para plantar milho ou fincava na terra e fazia um pequeno buraco), colocando dois ou três grãos por cova.
As roças eram limpas apenas uma vez, com foicinha ou com a enxada. As pestes eram raras. Somente cortavam os brotos das árvores e os galhos que ficavam altos, tudo isto para poder ter uma passagem melhor dentro da roça e preparar para a próxima plantação.
As brincadeiras das crianças era subir e descer das árvores que estavam no chão ou caminhar encima delas e até tentar trepar nas árvores menores.

2.13 OS CANTOS


Como na época não existia rádio e muito menos televisão era comum trabalhar, cantar e rezar, recordando a terra natal, e de preferência cantos de igreja.
As pessoas começavam a cantar sempre depois do almoço, e às vezes até rezavam, aproveitando o tempo para ensinar para as crianças. A reza era sempre feita antes das refeições.
Na volta do trabalho, que se dava ao anoitecer, começava a cantoria na colônia, ali era para valer mesmo.
Uma família começava os cantos, as outras respondiam com outro canto ou subiam nos morros e cantavam todos juntos o mesmo canto para ouvir quem cantasse mais forte e mais bonito.
Os cantos eram entoados em dialeto, e que ainda hoje são entoados pelos descendentes destas famílias, como: América, América, Manssolini de Fior, La bela Violeta.
Da Itália noi siomo partiti
Da Itália no siomo partiti/ Siamo partiti col nostro amore/ Trenta sei giôrno de macchina e vapore/ Ed in América siamo arrivá.
Mérica, Mérica, Mérica, cossa sarala sta Mérica, Mérica, Mérica um Bel massolini di fiori. A L´América noi somo Arriváti/ Non abbiam trovato né páglia, né fieno./  Abbiam dormito nudo terreno,/ Come le Béstie abbiamo riposá. Ma la Mérica L´é lunga e L ´ larga./ E circondata da mõnti e da piáni./ E com l índustria dei nôstri italiani,/ abbiam formato paezi e citá.

2.14 O FILÓ


A outra maneira das famílias saírem da rotina diária foi o filó, aonde contavam causos de trabalho e rezavam, pois a capelinha andava de família em família. Sobrava também um tempo para jogar baralho (bisca).
Essas reuniões eram sempre após os trabalhos de casa estarem prontos.
Tudo era divertido, cozinhavam pinhões, pipocas, grostoli, biscoitos, e mais vez regado com um bom vinho de tchodo.
Este vinho firmava o pulso para jogar a mora, ou animava as pessoas para cantar e esquentar as noites frias do inverno.
As mulheres contavam as novidades, mas também não perdiam tempo, pois fazias trança, chapéus e as cestas (exportas), tudo feito de palha de trigo.
Também fiavam à lã, faziam blusas e costuravam roupas. Na volta para casa, o caminho era iluminado pelos lampiões a querosene.

2.15 A ESCOLA


Pietro e seus filhos aprenderam a ler, escrever e fazer cálculos ainda na Itália. E aprenderam a falar e escrever o português, quando trabalhavam nas fazendas. E nestas fazendas os filhos tinham professores particulares e ensinavam também a eles.
Os filhos de Giuseppe, já tiveram um ensinamento um pouco melhor e diferente. Nas capelas tinha uma escola com um professor (a) que ensina desde a 1ª série até a 5ª série.
O estudo não era exigido pelos pais, pois era o irmão mais velho que ensinava os mais novos.
O caderno era um quadro negro pequeno, que se chamava de lousa, era escrito e depois apagado até ser memorizado.
Giuseppe sempre quis que os filhos estudassem e todos tiveram esta oportunidade, e as moças estudaram com as irmãs e os moços com os irmãos Maristas.



2.16 TAREFAS EXTRA ROÇA


Todas as famílias tinham uma pequena plantação de parreiras. A uva fazia o vinho de tchodo e o bagaço após a fermentação era aproveitada para fazer cachaça (conhecida como graspa). A cachaça era tomada quando vinha uma visita ou guardava com ervas medicinais para espantar a gripe, ou quando alguém se machucava.
Outro trabalho importante era fazer cestos de taquara ou vime, que faziam grandes ou pequenos conforme a utilidade.
Quando as cercas estavam precisando de reforma ou de ampliação os homens faziam este trabalho.
No sábado as mulheres faziam pão no forno, biscoitos e os serviços da casa, estes eram colocados num balaio de vime ou de palha de trigo, normalmente pedurado alto para que as crianças comecem somente quando os pais achavam que era o dia de comê-los, ou quando vinham as visitas. Os homens de tarde preparavam para o domingo, arrumando selas, pelegos, cortando as crinas e em ferrando o cavalo e finalmente tomavam banho e cortavam a barba. Ainda as mulheres arrumavam as roupas, passavam ferro, costuravam, davam banho para as crianças e elas também, depois preparavam a janta e pensavam no cardápio para o domingo. Os rapazes não ajudavam fazer os trabalhos de casa, pois se ajudavam eram chamados de mulherzinha.

2.17 AJUDA NA CONSERVAÇÃO DE ESTRADAS


Nesta época as estradas eram todas feitas com picaretas e com a pá. E exigia uma conservação constante, tanto na roçada, abertura de sarjetas, bueiros e construção de pontes de madeira.
A divisão das turmas era feita por linhas ou capelas. E a turma tinha um chefe que distribuía as tarefas. Tanto Giuseppe e Francisco foram chefes de turma de trabalhos. Todas as vezes que se reuniam-se para os trabalhos o almoço era servido sob as árvores ao longo da estrada.Esta foi uma forma de união que existia entre as famílias do interior:
“Os primeiros imigrantes italianos não esperavam nenhuma promessa. Juntavam-se e partiam para abrir novas estradas”. (RGHEZ, José Cláudio, 1978, p.09).

2.18. A VIDA DE GIUSEPPE E MARIA


GIUSEPPE RIGHES, nasceu em 27 de março de 1878, em Suspirollo, Província de Belluno, na Itália. Filho de Pietro Righês e Genoveva Troian Righês, seus avós paternos eram José Righês e Dapoian Vicença Righês.
Casou-se com Maria Scopel em 17 de junho de 1909, conforme registro civil nº. 181 à Fl. 136 do livro nº. 01, tendo como testemunhas. Mamede Marcelino de Oliveira e Claro Antônio Pereira. No registro religioso consta que o casamento foi no dia 09 de fevereiro de 1907 e tinha como testemunhas: Zelindo Bortolotto e Noé Salvador. O casamento realizou-se na Igreja Paroquial do Sagrado coração de Jesus, em Antônio Prado, Rio Grande do Sul. Tiveram oito filhos, cujo histórico de cada um segue adiante, neste relatório.
Giuseppe e Maria, foram um exemplo de casal, em todos os sentidos, dando além da educação religiosa e cultural aos filhos, deram muito carinho e acima de tudo a fé a esperança, em uma vida ativa e honesta em busca da felicidade para todos. E veio a falecer no dia 24 de Agosto de 1955, com 77 anos de idade. Foi velado na casa da família, a missa na Igreja Matriz de Vila Segredo, sepultado no cemitério local.
MARIA SCOPEL RIGHÊS, nasceu no dia 02 de Março de 1885, na localidade de Santa Tereza, hoje Caxias di Sul, filha de Vitor Scopel e de Ângela Martini.
Morou por vários anos, em sua terra natal, depois seus pais foram morar, perto do rio das Antas, mais precisamente no Passo do Zeferino, do lado de Antônio Prado, onde hoje mora a família Bortolon.
Neste local viveu sua juventude, junto com seus pais e irmãos, Paulo e Antônio (gêmeos), Serafina que casou com Luigi, Roberto, Arcângelo, Vilva, Filomena. Maria casou-se com Giuseppe. Família católica, todos os domingos iam à missa e rezavam o terço todas as noites. Trabalhavam na roça e vendiam uva em Antônio Prado. Neste local viveu Ângelo Scopel. E hoje seu filho trabalha com porcos, parreiral e também como pedreiro.
Maria Scopel Righês, ficou doente dois dias e veio a falecer no dia 14 de Julho de 1974. Foi velada e sua casa, a missa de corpo presente na Igreja Matriz da Vila Segredo e sepultada no cemitério local.  Foi um Grande exemplo de esposa, mãe e avó. Muito nos ensinou principalmente ter fé, rezar, ser honesto e gostar das pessoas mais velhas, pois hoje tenho o orgulho de ter vivido 14 anos junto e muito aprendi para a minha vida.

2.19 FILHOS DE GIUSEPPE E MARIA


GENOVEVA RIGHÊS, nasceu no dia 16 de junho de 1921, na casa paterna, na localidade da Vila Segredo. Era uma menina meiga e simples, sempre disposta a qualquer tarefa de casa.
Estudou na escola da capela do Caravagio. Gostava muito de estudar, pois sempre pedia para seus irmãos mais velhos para que ajudasse nos estudos. Anos mais tarde partiu para estudar com as irmãs de São José em Antônio Prado, pois gostava muito de estudar e um dia poder servir aos outros.
Com problema de saúde, não foi aceita e voltou a residir com seus pais. Tendo pouca saúde e a doença se agravava, tentou resistir até a ultima hora, mas no dia 06 de janeiro de 1946, com apenas 24 anos de idade, partiu para morar, junto de Deus, na casa Celeste.
THEREZA RIGHÊS, nasceu no dia 01 de Março de 1917, na Capela São Miguel, Linha Pain, município de Ipê.
Começou a ler e escrever, com a ajuda dos pais e seus irmãos mais velhos. Quando seus pais mudaram para Vila Segredo, começou a freguentar as aulas na Escola da Capela do Caravagio. Tendo terminado os estudos, na escola citada, saiu de casa e foi estudar no colégio das Irmãs de São José, em Antônio Prado. Mais tarde passou a integrar a Congregação das Irmãs de São José, onde permaneceu por oito anos, como religiosa.
Voltou para a casa paterna, por motivo de saúde, pois as Irmãs só aceitavam como religiosa ás pessoas que não tivessem nenhuma doença. Como era uma pessoa doente, nunca mais pode voltar ao convento, ficando um tempo em casa e outro nos hospitais de Antônio Prado e Porto Alegre.
Enfrentou a vida com muito sofrimento, mas sempre com vontade de viver, mas, mas como os recursos da época eram poucos, a saúde se agravou e no dia 12 de junho de 1974, veio a falecer em Porto Alegre. Foi sepultada na Vila Segredo.
JOÃO RIGHÊS, nasceu no dia 23 de Março de 1924, na casa dos pais, onde a parteira da família era: Estela Tieppo.
Desde pequeno foi uma pessoa decidida e disposta a tudo. Gostava de andar a cavalo e sair aos domingos junto dos primos e amigos, era companheiro de verdade. Passavam pelas capelas da região, para ver as moças, com o seu cavalo forte, bonito e gordo, com o laço na garupa. João gostava de sair pilchado. Com botas, bombachas, camisa branca, lenço no pescoço e tirador.
Quando não iam farrear nos domingos, saiam para pescaria e caçadas. Às vezes davam tiros só para ver o que caia. Faziam torneio de tiro ao alvo.
Estudou na escola da Capela Nossa Senhora do Caravágio, com os outros irmãos mais velhos.
Aos 18 anos de idade foi servir o exército, em São Tiago. Desta experiência muito deixou para nós, pois contava tudo com muito carinho, para nos ensinar a viver com dignidade e honestidade, deixou guardada as cartas que escreveu, para os pais e para a namorada, enquanto servia, bem como as que escrevia e recebia dos amigos e familiares.
Voltando do exército, namorou Rosália Corso, com a qual casou-se no dia 12 de Novembro de 1947, na Igreja Matriz da Vila Segredo.
Moraram vários anos junto com os pais e seu irmão Francisco. Com o surgimento da possibilidade de se montar um moinho de farinha de trigo na Vila Segredo, tranferiu-se para lá, onde foi sócio fundador e gerente do setor de produção, onde permaneceu até a venda do moinho.
Foi várias vezes presidente da comissão da Paróquia e do Hospital da Vila Segredo. Era um líder exemplar no meio do povo segredense, que muito o estimavam e respeitavam. Foi o primeiro morador a adquirir u jipe e com ele muito ajudou a comunidade, prestando socorro às pessoas doentes, sempre sem cobrar nada pelas corridas.
Foi um pai, preocupado com o futuro dos filhos, pos providencio estudo para todos, sem deixar de lhes dar amor carinho e muita esperança com o espírito de luta e entusiasmo. Gostava de brincar com as crianças e teve inúmeros afilhados.
Faleceu no dia 23 de Setembro de 1994, com 70 anos de idade.
Hoje com gratidão pelos serviços prestados junto à comunidade, a Câmara de Vereadores do município de Ipê, presta-lhes homenagem, dando o nome à rua, em frente a sua casa de João Righês. Popularmente era conhecido por Joanin.
Teve 11 filhos: Clodoveu, Marlene, Terezinha, Leonilda, Felix, Ari, Lourdes, Gentil, Juarez, Beatriz e Claudete.
VITÓRIA RIGHÊS, nasceu no dia 27 de Maio de 1922, na casa paterna. Estudou na escola da Capela Nossa Senhora do Caravágio, permanecendo na casa dos pais, durante toda a infância e juventude. Fez curso de corte e costura e costurava para as famílias da localidade. Gostava do trabalho e dedicou-se a esta profissão até o fim da vida.
No dia 06 de fevereiro de 1946, casou-se com Pedro Corso, que trabalhava com o pai Adolfo, na ferraria da Localidade.
Mais tarde mudaram-se para Lages, Santa Catarina, onde veio a falecer no dia 20 de fevereiro de 1996, após uma curta enfermidade.
Foi uma profissional exemplar, pois alem do trabalho normal de costureira, deu curso de corte e costura para os jovens de Lages.
Mesmo atarefada, nunca esqueceu do marido e dos filhos, pois deu a todos a educação suficiente para que fossem cidadãos e profissionais felizes, mantendo sempre a religião, como escudo, para vencer as dificuldades da vida.
Teve 10 filhos: Beatriz, Lourdes, Valter, José, Luiz, Antônio, Egnaldo, Élson, João e Paulo.
ANGELA RIGHÊS MENEGAT, nasceu no dia 07 de Agosto de 1914. Estudou na escola da Capela Nossa Senhora do Caravágio. Permaneceu em casa até casar-se com José Menegat, no dia 06 de Maio de 1936, e foi morar na Capela Santo Antão da Vila Segredo. Foi uma esposa e mãe exemplar, na educação dos filhos, nos afazeres da casa bem como no acompanhamento do esposo na agricultura.
Faleceu no dia 28 de Outubro de 1998, após uma longa enfermidade de quase 10 meses, na própria residência. Teve 12 filhos: Gaudêncio, Laurindo, Maurílio, Domingos, Maria, Nair, Inês, Elza, Zélia, Crespin e Francisco.
PIERINA GUILHERMINA RIGHÊS (IRMÃ CRISTIANA), nasceu no dia 14 de fevereiro de 1914, na linha Pain, Capela São Miguel, Ipê, filha mais velha de Giuseppe e Maria.
Começou os estudos na Capela do Caravágio, Ponte do Segredo e em casa os pais ajudavam ensinando a ler, escrever e fazer cálculos.
Como a idéia foi sempre de ser religiosa, aos 15 anos de idade saiu de casa para estudar no colégio das irmãs de São José, em Antônio Prado.
Ficou estudando dois anos em Antônio Prado e depois foi completar os estudos em Garibaldi. Em 14 de Janeiro de 1932 em Garibaldi, começou o noviciado. No dia 02 de julho de 1933 fez os primeiros votos religiosos. No dia 28 de fevereiro de 1938 fez a profissão perpétua, passando a chamar-se de Irmã Cristiana.
Trabalhou dois anos no Hospital São Pedro, em Porto Alegre, depois foi trabalhar em Caxias do Sul, no colégio São José, onde permaneceu por três anos. Em seguida foi convidada a trabalhar na cidade de Rio Grande, para cuidar de crianças em uma creche, pelo período de dois anos.
Mais uma vez foi solicitada para ajudar as pessoas e desta vez foi para Vacaria, onde trabalhou no Hospital Nossa Senhora da Oliveira, com a missão de lavar roupas, cuidar da horta e dar ânimo e consolo as pessoas doentes.
Depois de passar 25 anos trabalhando no Hospital, foi nomeada para ajudar no Seminário Diocesano Nossa Senhora da Oliveira em Vacaria, com o intuito de cozinhar, lavar roupas, cuidar da horta, juntamente com os seminaristas, que ali estudavam, para seguir o caminho sacerdotal. Fez este trabalho com muito amor e carinho por 19 anos.
Os últimos anos de sua vida foi morar junto com as colegas idosas, na casa das Irmãs em Vacaria. E no dia 26 de Maio de 2000, faleceu na casa das Irmãs idosas.
Irmã Cristiana, deixou para nós a sua fé, a reza do terço, a ajuda aos jovens necessitados, à honra e principalmente muita paciência.
ERANCISCO RIGHÊS nasceu no dia 10 de outubro de 1926, na casa paterna tendo como parteira Estela Tieppo. É o Ultimo filho de Giuseppe e Maria.
               Um menino quieto, que gostava de caçar com bodoque e brincar com carrinho de lomba, feito por ele, tinha muita paciência para com todos os amigos.
                Gostava da terra, principalmente de plantar milho com o saraquá, mais tarde com a máquina manual, semear trigo, lavrar com as mulas, era um ótimo motorista de carroça. E tinha uma bonita mula vermelha para passear e mais tarde namorar.
               Estudou na Escola da Capela Nossa Senhora do caravágio, na ponte do Segredo Ipê, durante dois anos. Sempre foi a pé ou a cavalo, distante três quilômetros de casa. Para continuar os estudos foi para a casa do tio, irmão da mãe, o Antônio Scopel, onde juntamente com o primo José Scopel, estudavam no Colégio dos Irmãos Maristas em Antônio Prado, até concluir o 5º ano e muitos amigos fez em Antônio Prado.
                    Quando ia com a mãe em Antônio Prado visitar os tios, ia na garupa do cavalo e faziam também as compras da casa e voltavam ao anoitecer.
        Aos dezoito anos de idade, foi convocado para servir o exercito e serviu em Antônio Prado, onde fez o tiro, com treinamento próprio para tanto.
         Aos vinte e quatro anos de idade, casou-se com Sabina Panisson Righes, no dia 13 de Maio de 1950, na Igreja Matriz da vila Segredo ás onze horas da manhã, ao meio dia festa e de tarde até ao anoitecer. Ficou sempre junto com os pais.
        Cuidou dos pais juntamente com a esposa e fez tudo para que tivessem uma vida digna até o fim, não medindo esforços para atendê-los até o fim, em tudo, amor, carinho e muita dedicação.
         Católico de origem, nunca deixou esmorecer a fé, rezando ao acordar, antes das refeições e o terço a noite antes de ir dormir. Sempre participou das missas aos domingos, a cavalo com a mula vermelha e depois de carro.
          Sempre trabalhou na colônia, cultivando milho trigo, feijão e parreiral, além de criar porcos, galinhas e gado. Sempre foi amigo da natureza, pois soube conviver com ela.
Seu objetivo maior foi o de dar condições para que todos os filhos estudassem e com muito esforço e perseverança, sentiu-se realizado ao ver todos os filhos com curso Superior.
Gostava de brincar com todos, principalmente com os netos Paulo e Alexandre, o qual conviveu mais tempo e não reclamava nem mesmo do tempo, tudo era felicidade.
Ao exemplo do pai Giuseppe, gostava de estar bem informado, por isso as notícias são importantes como alimento. Sempre lia o Jornal Correio Riograndense de Caxias do Sul, revistas gostava também ouvir o repórter Esse da Rádio Farroupilha de Porto Alegre, mais tarde o repórter da Rádio Gaúcha, Rádio Fátima de Vacaria e a Rádio Soláris de Antônio Prado. Depois contar aos filhos e a esposa o que estava acontecendo no mundo. Gostava também de ouvir Músicas principalmente as Italianas, as que os avós cantavam. O esporte preferido era jogar baralho, bisca, trêis sete, canastra e outros. Era um bom pescador.
Faleceu no dia 02 de Outubro de 2000, depois de uma breve enfermidade. Mesmo depois da saída desta vida, ele continua vivo em nosso meio, pois sentimos que ele está conosco.
LÚCIA RIGHÊS, nasceu no dia 18 de Janeiro de 1919, na vila Segredo, Vacaria, hoje Ipê. Passou uma parte de sua infância, junto com os pais, trabalhando na roça e estudando na escola da Capela do Caravágio, ponte do Segredo. Com 10 anos de idade saiu para estudar no colégio das Irmãs de São José de Antonio Prado, permanecendo por 15 anos.
Por solicitação da provincial, foi trabalhar em Garibaldi, onde permaneceu por cinco anos, prestando serviço às noviças. Em seguida foi trabalhar na casa das Irmãs em Porto Alegre.
Voltou a Garibaldi, mas como não estava decidida a seguir a vocação religiosa, voltou para junto dos pais, na Vila Segredo, onde ficou ajudando a família. Durante o tempo que ficou em casa, foi professora na escola da Capela Nossa Senhora do Caravágio, onde tos os filhos de Giuseppe estudaram.
Convidada para trabalhar como enfermeira no Hospital Nossa Senhora da Oliveira em Vacaria, deixou a família e foi trabalhar como enfermeira.  Anos depois voltou para casa dos pais e passou a trabalhar na Casa Paroquial São Pedro Apóstolo, da Vila Segredo,, ao mesmo tempo atuava como enfermeira no Hospital Beneficente São Pedro, da Vila Segredo.
Enquanto empregada da casa Paroquial, foi professora de corte e costura, no salão Paroquial, onde ensinou as moças a terem uma profissão e assim terem um ganho a mais para a família.
Na casa Paroquial além de trabalhar como doméstica, cuidava dos animais, cultivava a horta e fazia também partículas para serem consagradas, nas missas, no Segredo e São Paulo, do Ipê.
Despedida da casa Paroquial, foi trabalhar em Farroupilha e Caxias do Sul, sempre cuidando de pessoas idosas.
Hoje mora na vila Segredo, sempre ficou solteira e sempre serviu aos mais necessitados. É membro da Ordem Terceira Franciscana e por várias vezes foi presidente desta entidade cristã. O sobrinho Juarez Righez sua esposa Lucila Simioni Righez juntamente com a Filha Luiza, acolheram em sua casa para cuidá-la e dar amor e carinho, já que sempre ajudou os mais necessitados, precisava de alguém para acolhê-la.
Lúcia é a única filha de Giuseppe, que está viva, já com saúde um pouco debilitada, pois conta com 91 anos.


2.20 OS FILHOS DE FRANCISCO


 MARIA FILOMENA RIGHEZ BORTOLOTTO, nasceu no dia 05 de Julho de 1951. Foi batizada na Igreja Matriz São Pedro Apóstolo da Vila Segredo Ipê, pelo Frei Domingos Rigon, tendo como padrinhos José Scopel e Lúcia Righez. Foi Crismada pelo Bispo D. Candido Bampi, sendo Madrinha Gloria Panisson.
Aprendeu as primeiras letras com a Mãe Sabina Panisson Righez, quando foi para a escola começou no 2º ano sendo a primeira professora a Irmã Terezita, depois Geni Mussatto, Irmã Ivani e Irmã Maria Ângela Muraro.
Em 1964, fui estudar no Colégio São José em Antônio Prado, onde fiz o Primeiro ano Ginasial e morava na casa do tio Arcangelo Scopel e Zaida Lionço Scopel e os primos Antônio e Ana.
Em 1965 estudei no Colégio São José das Irmãs de São José em Vacaria. Em 1967 ficou em casa para ajudar os pais e cuidar dos irmãos.
Em 1967, foi estudar no internato em São José do Ouro, no Colégio das irmãs de São José, lá fez o normal regional, estudava de manhã e a tarde trabalhava para pagar os estudos. Concluiu o curso em 1969, com o título de professora.
Em 1970 trabalhou na Escola Sagrado Coração de Maria no município de São José do Ouro, com a 4º série com 36 alunos.
Em 23 de Março de 1971, ingressou no Estado na Escola Rural São Paulo, de São Paulino 3º distrito de Ipê, lecionando na 1º série.
Em 1974 fez magistério na Escola Rainha da Paz em Lagoa Vermelha. Em 1976 fez Pedagogia Administrativa Escolar, Faculdade de Vacaria, extensão da UCS de Caxias do Sul.
Em 1978 ingressou na Universidade de Passo Fundo e fez Licenciatura Plena em Pedagogia e Administração Escolar.
Em 1976 foi transferida para a Escola Estadual de Ensino Fundamental São João Batista de La Salle na Vila Segredo Ipê, morando junto com os pais. Foi professora da 1º série e lecionando História, OSPB, Ensino Religioso, também foi supervisora e professora polivalente.
 De 1990 a 1998 foi Diretora da Escola Estadual de Ensino Fundamental São João Batista de La Salle, onde se aposentou.
Em 1998e 1999 foi alfabetizadora do SENAR e FARSUL, com adultos e foi muito gratificante.
Em 18 de Dezembro de 1978 casou com Inocêncio Antônio Bortolotto, na Igreja Matriz da Vila Segredo, onde passou a morar na Vila Segredo.
 Desta união nasceu em 22 de Dezembro de 1984, PAULO FRANCISCO BORTOLOTTO. Batizado em 30 de Setembro de 1984, tendo como padrinhos, José Cláudio Righez e Lurdes Bortolotto e tendo como Padre Frei Luciano Giasson.
Foi crismado em 17 de Dezembro, pelo Frei Dorvalino Sorgatto e o Padre Carlos Stefens, sendo padrinho Constantino Justino Righez.
Estudou na Escola Estadual São João Batista de La Salle e o 2º grau na Escola Estadual Frei Casemiro Zafonatto de Ipê.
Em 2002 ingressou na UCS, cursando Engenharia Química. Atualmente trabalha como Supervisor de Laboratório na Empresa Cimoquimica de Caxias do Sul.
Em 11 de Março de 1989, nasceu ALEXANDRE BORTOLOTTO, batizado pro Frei Arlindo Batistel, tendo como padrinhos Adair Almeida da Silva e Lucila Maria Righez da Silva. A primeira comunhão no dia 18 de dezembro de 2000, pelo frei Reni Bortolon e crismado em 01 de Junho de 2003 por D. Pedro Sbalchiero Neto, sendo padrinho Neucir Bortolotto.
Estudou na Escola Estadual São João Batista de La Salle na Vila Segredo.
Fez o 2º grau fez na Escola de 1º e 2º grau Raquel Graziottin de Caxias do Sul. E atualmente esta cursando Comércio Internacional, na Universidade de Caxias do sul.
Trabalha como Gerente de Produção na Metalúrgica Sulmax Modelo LTDA de Caxias do Sul.

LUCILA MARIA RIGHEZ DA SILVA, nasceu no dia 09 de Dezembro do ano de 1952. Foi Batizada na Igreja Matriz da vila Segredo, 2º distrito de Ipê, pelo Padre Juvêncio.
Estudou na Escola Imaculada Coração de Maria, da vila Segredo, até a 5º série. Fez o exame de admissão.
Aos doze anos cursou o 1º ano do ginásio no ginásio São José em Vacaria, com as Irmãs de São José.
De 1969 a 1971 concluiu i ginásio no Colégio Estadual José Gelaim, em São José do Ouro.
Em 1972, foi para Caxias do Sul, onde cursou o 2º Grau no Colégio Santa Catarina.
Em 1973 começou a trabalhar na empresa, Produtos Alimentícios Corsetti, onde permaneceu até o ano de 2002, mesmo que tenha se aposentado em 1997.
Casou-se com Adair Almeida da Silva em 1990 e teve o filho, CASSIUS RIGHEZ DA SILVA, que nasceu em 25 de Março do ano de 1991. Hoje Cassius está cursando Arquitetura e Urbanismo na Universidade de Caxias do Sul.

JOSÉ CLAUDIO RIGHEZ, filho de Francisco Righes e Sabina Panisson Righes. Nasceu no dia 30 de outubro de 1954. Cursou o primeiro ano ao quinto em 1961 a 1988, no grupo Escolar da Vila Segredo, Ipê. Fez o exame de admissão.
De 1967 a 1974, cursou o científico, no Seminário Seráfico São José de Veranópolis.
Em 1975 ingressou na Universidade Federal de Santa Maria, no curso de Filosofia. Concluindo o Curso de Filosofia em 15 de Dezembro de 1978, obtendo Licenciatura Plena em Filosofia e Psicologia, conforme registro no MEC nº9609.
Durante o tempo que estudou na UESM, trabalhou como estagiário no centro de ciências rurais.
Em 1979 ingressou no curso de Técnicas Agrícolas da FIDENE de Ijui. Tendo concluído este curso em 1983.
Em 21 de Março de 1981 foi nomeado como professor na Escola Estadual de São Paulo, 3º distrito de Ipê.
No ano de 1981 foi transferido para a Escola Estadual de Ensino Fundamental São João Batista de La Salle, onde atuou até 11 de Janeiro de 2010.
Foi Diretor da Escola Estadual de Ensino Fundamental São João Batista de La Salle, em 1984 e 1985. Depois em 1998 e 1999, também atuou como Diretor na Mesma Escola.
Durante este tempo escreveu o Livro “Segredo 50 anos de História”, que conta a HISTÓRIA DA Vila Segredo 2º Distrito de Ipê, desde o Início até 1978.
Em 19 de Fevereiro casou-se com Silvânia Prigol e deste casal nasceu Mateus Prigol Righez. Mateus gosta de jogar futebol e treina na Pepe de Antônio Prado, também faz curso de violão e informática. Está na 5ª série e é um líder em tudo, sempre disposto ao que der e vier.
Nunca deixou de atuar na agricultura, onde ainda hoje continua a desenvolver atividades na propriedade.

CONSTANTINO JUSTINO RIGHEZ, nasceu no dia 12 de Abril de 1957. Aos sete anos começou a estudar na Escola Imaculada Coração de Maria da vila Segredo, 2º distrito de Ipê. Em 1969 concluiu a 5º série. Fez o Exame de Admissão e foi estudar no Seminário Seráfico de Vila Flores, para cursar o Ginásio. Depois Estudou no Seminário de Ipê. E concluiu o 2º grau em Veranópolis, com os padres capuchinhos.
Após ter concluído o 2º grau, ingressou na UCS e cursou Filosofia, enquanto trabalhava no setor privado em Caxias do Sul.
Passou no concurso do Banrisul, onde atua até hoje, como caixa em Caxias do Sul, na Agencia de São Pelegrino.
Casou-se no dia 14 de Fevereiro de 1988, com Lorena Salvador, que atua como Professora em Caxias do Sul.
Tem uma filha JULIA SALVADOR RIGHEZ, que nasceu no dia 22 de Setembro de 2005 e durante o dia está aos cuidados da tia Lucila Maria Righez.

CLOVIS ALFEU RIGHES, nasceu no dia 12 de Abril de 1957, na Vila Segr3edo, 9° distrito de Vacaria, de parto natural na própria residência, na Linha Pereira de Lima. A parteira foi Maria Moschin, vizinha e casa. A família era composta de pai, mãe e 7 irmãos. Todos os irmãos tinham pouca diferença de idade entre um e outro, tanto é que quando o Clóvis nasceu o Constantino completou exatamente um ano de vida naquele dia. . O rádio era uma grande novidade e raridade. Na nossa casa não existia luz elétrica, a iluminação era com lanterna a querosene. Os brinquedos eram fabricados em casa pelas crianças e às vezes com ajuda dos pais, principalmente o carrinho de lomba. Acompanhava os irmãos e os pais na roça mesmo antes de andar, dentro de uma cesta ou uma cama improvisada. Na roça também brincava com os irmãos com pedra, madeira e era divertido.
Aos domingos ia à missa a pé ou na garupa do cavalo com a avó. Também junto com os irmãos, o pai e a mãe.
A primeira comunhão foi realizada na igreja matriz da vila Segredo, pelo Pároco Padre Juvêncio. Foi quando ganhou o primeiro terno condicionado pela costureira Angelina Scopel.
Em 1965 começou os estudos na Escola Imaculada Coração de Maria na vila Segredo. O percurso até a escola sempre foi feito a pé ou a cavalo. Quando ia a cavalo e encontrava um carro o animal tinha medo e às vezes disparava e caia do cavalo.
Em 1970, fez exame de admissão no colégio Estadual de Ipê, mas ficou um ano em casa para ajudar os pais, trabalhando na roça e nos afazeres da casa.
Em 1971 foi estudar no Seminário Seráfico Santo Antônio de Vila Flores. Em 1974, foi para o Seminário Seráfica Nossa Senhora de Fátima em Ipê, onde concluiu o ginásio no Colégio Estadual de Ipê. Em 1975 foi transferido para o Seminário Seráfico São José de Veranópolis, onde concluiu o científico.
Em 1978, ainda como seminarista começou a faculdade de Filosofia na Universidade de Caxias do Sul, onde obteve o 1º lugar. E trabalhava na Gráfica São Miguel, no setor de Escapulários, foi o primeiro emprego com carteira assinada.
No ano de 1979 sai do seminário e vai trabalhar na Automagui, no setor de garantia. Em 1980 começa o curso Bacharel e economia e forma-se em 1984.
No ano de 1981 foi trabalhar na Madezatti Materiais de Construção, setor expedição de notas fiscais. No ano de 1982, foi trabalhar no INSS.
Em 1984 ao concluir o curso de Bacharel em economia, ingressou na Caixa Econômica Federal, onde permanece até hoje. Na caixa exerceu a função de escriturário, gerente de atendimento e caixa executivo atuou em Antônio Prado, Serafina Correia, Sapiranga e Capão da canoa.
No ano de 1990, casou-se com Janete Corona Graziottin, companheira que sempre o acompanha em todos os momentos da vida.
Em 26 de Maio de 1992, dia de Nossa Senhora de Caravagio, o casal Clóvis Righes e Janete Grazziotin viajaram para a Itália. Saindo de Antônio Prado às 6 horas da manhã, de carro até o Aeroporto Salgando Filho, Porto Alegre. Às 10 horas o avião decolou de Porto Alegre, às 13 horas aterrizou no Rio de Janeiro. Depois tomaram outro avião que atravessou o Atlântico em 9 horas de voo, chegando a Lisboa. De Lisboa, saindo em outro avião e aterrizando em Roma, no Aeroporto Viccini, quando eram 13 horas do dia 26 de maio de 1992. A emoção foi grande, estavam na terra natal de seus avós, a Itália.
Foi em 1891, fazia 101 anos que os avós de Clóvis saíram da Itália pelo Porto de Gênova e vieram ao Brasil em busca de uma vida melhor. Daquela época pouco se teve notícias da pátria Itália, a não ser dos que vieram logo após. Com as Guerras Mundiais, o contato foi totalmente perdido.
Para os brasileiros, era um país diferente, mas no fundo familiar. Era possível se comunicar com a mesma linguagem usada pelos avós. O dialeto Vêneto, que foi muito desprezado nos tempos passados, foi muito útil. Era o país de 1º mundo e se falava em dialeto Vêneto e as pessoas entendiam tudo. Foi fácil tomar um trem no Aeroporto e ir até o Términi que é uma centrar, aonde partem trens para as principais cidades da Europa. O destino é Monte Belluna que dista aproximadamente 600 quilômetros de Roma. Após 6 horas de trem chegaram a Paduva, onde pernoitaram. No dia seguinte foram até Monte Belluna, onde foi feita a parada de 3 dias, ponto estratégico, próximo de Belluno, Suspirollo, Feltre Cedico, Mel e outras cidades.
Em Belluno, na Associação dos Bellunenses no Mundo, foi dado endereço Via Oregne, cidade de Suspirollo, onde reside Maria Righes, de 75 anos de idade, casada com Marin. Via Oregne nº. 121 uns 2 quilômetros de Suspirollo, Suspirollo dista uns 30 quilômetros de Belluno, tudo ligado por estradas asfaltadas. Quando o casal chegou naquela residência e se identificou como sendo Righes do Brasil, da América, a Maria exclamou: quem sabe você é filho do meu irmão, Francisco! O pai de Clóvis é Francisco, mas nasceu no Brasil. O Francisco que ela estava se referindo tinha nascido na Itália e foi para a América em 1918 para escapar da guerra. Então, não foi possível se chegar a um denominador comum. O Marim que é marido da Maria estava desconfiado de que os brasileiros estavam procurando heranças. Foram muito cordiais.

LOURENÇO SÉTIMO RIGHEZ, nasceu no dia 05 de Setembro de 1958. Cursou o primeiro grau na Escola Estadual São João Batista de La Salle.
Em 1973 ingressou no Seminário Diocesano de Vacaria e passou a cursar o 2º grau no Colégio Estadual José Fernando de Oliveira (Zezinho).
Em 1997 cursou filosofia no Seminário de Viamão, em Viamão, Rio Grande do Sul.
No ano de 1980 morou no Bairro Partenão, em Porto Alegre e cursou teologia na PUC.
O diaconato exerceu em Lagoa Vermelha, no ano de 1985.
No dia 04 de maio de 1986 foi ordenado Padre, pelo digníssimo Bispo Dom Orlando Dotti, na igreja matriz da paróquia de São Pedro, da Vila Segredo, 2º distrito de Ipê.
A partir da ordenação até 1989 atuou com pároco, no município de Tupanci do Sul,, na paróquia Nossa Senhora da Saúde.
De 1990 a 1992 assumiu como pároco, a paróquia de São José dos Ausentes.
No ano de 1992 a 1995 cursou pedagogia administrativa na UCS.
No ano de 1993 foi vigário em Vacaria, na paróquia da Glória, no Bairro Glória, onde permaneceu até 1998.
No ano de 1999 até o ano de 2003 foi vigário, na Paróquia Nossa Senhora das Dores, em Barracão.
A partir de 2004 a 2006 assumiu como vigário a Paróquia São João Batista, em Esmeralda.
De 2007 até hoje é vigário da Paróquia Cristo Rei, em São João da Urtiga.

ARCANGELO JORGE RIGHEZ, nasceu no dia 23 de Abril de 1960, no dia de São Jorge. Teve como parteira Maria Rigotto Moschem.
Cursou o primeiro grau na Escola Estadual São João Batista de La Salle, na Vila Segredo, Ipê. Sempre foi ao colégio a pé ou a cavalo.
Em 1977 ingressou no Seminário Santo Inácio de Loyola, em Salvador do Sul, Rio Grande do Sul, com os padres jesuítas. E cursou o 2° grau na Escola Estadual de 2º grau Salvador do Sul.
Em 1987, formou-se em Licenciatura e em Estudos Sociais na FALEV em Vacaria.
No dia 04 de Março de 1993 começou a lecionar na Escola Estadual São Paulo, na Vila São Paulo, Ipê.
Em 01 de maio de 1993 casou-se com Ivete Simioni Righez. E até hoje vive junto com os pais e seu irmão José Cláudio Righez.
Em 1998 transferiu-se para a Escola Estadual de Ensino Fundamental São João Batista de La Salle, Vila Segredo, Ipê. Onde trabalha até hoje.
No dia 21 de outubro de 1995, nasceu Camila Righez. E hoje Camila está no 1º ano do ensino Médio, na Escola Básica Frei Casemiro Zafonatto. Ipê.
Em 2002 formou-se em Licenciatura Plena em História pela Universidade de Caxias do Sul. Hoje faz Pós-graduação em Práticas Pedagógicas Interdisciplinares com Ênfase em Áreas da Educação pela CESUSC.
Sempre trabalhou na agricultura e continua criando gado leiteiro e é integrado a empresa SEARA criando perus. Sempre atuou como professor na área de História, Geografia e Educação Física.


CAPÍTULO III

3. DIALETOS


3.1 O DIALETO NAS COLONIAS DO RIO GRANDE DO SUL


O italiano falado no Rio Grande do Sul, não é uma língua homogênea, pois os imigrantes procediam de diferentes regiões, com dialetos próprios. A história linguística na região da colonização italiana teve seu início em 1875, com a chegada dos imigrantes italianos.
Dentre os dialetos falados, destacam-se os vênetos, lombardos, trentinos e friulanos, mas o que predominou foi o vêneto. Isso se deu porque mais de 50% dos imigrantes eram dessa região do norte da Itália. Tudo era italiano: a linguagem e o universo cultural que foi preservado por várias décadas da historia regional do Rio Grande do Sul.
Por várias décadas não houve confrontos com outros sistemas de fala, também não existia nenhuma restrições linguísticas e muito menos leis que proibisse a fala de outras línguas no Brasil.
Nossos imigrantes falavam livremente seus dialetos italianos, com a mesma energia física e mental dos tempos que moravam na Itália. Pois sempre tiveram em mente, vencer a fome e a miséria que sofreram na terra de origem. Aqui no Brasil os imigrantes nomeavam as comunidades e nomes de seus próprios filhos, com sua velha e secular linguagem.
Por mais de treze décadas, os italianos mantiveram viva a sua língua materna, com sua identidade ética inseparável, na história da colonização italiana.
A língua materna acompanha o individuo do primeiro ao último dia de sua vida (HANNAH ARENDT. 1993).
Com o passar do tempo formou-se um supra-dialeto, resultado de vários dialetos vênetos e lombardos, e com predominância dos dialetos vicentino e feltrino-belunês.
  No caso da coexistência de dois sistemas linguísticos distintos, o fenômeno do prestígio/desprestígio assume maior importância à medida que a língua materna é identificada com um grupo de menor poder político, econômico e/ou cultural, criando-se um contraste entre a língua majoritária (de prestígio) e a minoritária (estigmatizada).
O contato com a comunidade luso-barileira desenvolveu diferentes formas e graus de bilinguismo, novamente criado em terreno fértil para a mudança linguística.  

3.2 O GOVERNO INTERFERE NA FALA


O Governo Federal Brasileiro, na década de 1930, instituiu a campanha de nacionalização do ensino e coibiu as falas dialetais, com isso mudou o cenário linguístico. E foi dado o status a língua portuguesa, com isso a língua portuguesa passou a ser oficial e dominante com total prestígio.
Este ato político repercutiu em uma nova ordem social e cultural no Brasil. A fala em italiano foi proibida, e todos deveriam se expressar em Português, mesmo não sabendo falar esta língua. O imigrante sofreu muitas humilhações, passou vergonha, tristeza, estagnação e a solução foi o silêncio.
Até os dias de hoje muitos descendentes de italianos tem vergonha de falar a língua dialeto.
Nesta época houve um desprestígio.
Pela fala podemos identificar qual a categoria sociocultural, que o individuo dentre outras informações, a sua origem étnica, sua profissão, até o nível de instrução.
Conforme as comunidades que o falante pertence, é possível identificar o local que está inserido, conforme a evolução cultural.
A história regional da colônia italiana ficou muito tempo sufocada, e negativamente marcada por vários fatores.
Neste período falar o dialeto italiano ou em Português com interferências dialetais italianas era suficiente para ser identificado e tachado como “colono burro” ou “colono grosso”.
O sotaque e o modo de vestir, também foram muito humilhantes para o colono.
As dezenas de famílias, que profundamente marcadas pela fé católica deram origem a várias cidades, e hoje quando erguem os olhos, enxergam um crucifixo, um capitel, uma Igreja, o campanário.
O dialeto era falado por necessidade de comunicação. Passada a fase inicial da chagada, do colono, começa o processo de aculturação e depois sente a necessidade de se relacionar com os demais habitantes, seja por necessidade de trabalho ou pela vontade de não ser um estranho na terra nova. O Português foi predominado devido à necessidade de comunicação e o dialeto se manteve restrito aos mais velhos.
 As raízes não foram abandonadas, pois sempre que se faziam festas e filós, recorda a origem italiana, isso contribui muito para relembrar e preservar a nossa origem.
Hoje se observa que existem pessoas interessadas em retornar às origens, especialmente por jovens, rádio, jornais locais. Também esse interesse se deve a dupla cidadania, que tem aumentado consideravelmente nos últimos anos.
Todo esse interesse nos dá saudade de uma vida que não se vive, porém significa nas falas dos imigrantes e hoje leva a diante pelos filhos, netos e bisnetos.
Este foi o cenário que se caracterizou nos primeiros anos da imigração italiana.
Quando os colonos chegaram, tiveram que enfrentar uma nova língua, uma nova terra, um novo clima. Mesmo assim não tirou a alegria de festejar e contar estórias em sua língua materna.
Os costumes e a tradição, trazidos da Itália, preservaram-se e ainda hoje se identificam, sobretudo, nas áreas rurais. A organização da propriedade, a estrutura familiar, a educação dos filhos e da vida social, são características que persistem na Zona Rural e que mesmo o tempo, integrado com a realidade brasileira, ainda persiste fiel a tradição e tem um grande valor histórico.
Com isso podemos entender que as formas dialetais é um fato positivo para que seja preservado, junto com os costumes a fim de entender a expressão da cultura de um povo.
Hoje as pessoas mais velhas, descrevem que quando moravam na Zona Rural, sentiam inferioridade em aspectos da fala, de capacidade intelectual ou de instrução.
Outro fator foi o histórico-político-social que agiram com motivação de inferioridade.
Quando os colonos iam para a cidade e tinham que falar em brasileiro, sentiam vergonha, pois falavam atrapalhado, errado.
 As pessoas da cidade estavam bem vestidos, e bem calçados, e os colonos com uma certa inferioridade. E com o passar dos tempos este grupo passou a ser minoritário.
Outra situação de constrangimento, que levaram ao sentimento de inferioridade, foi o sotaque dos tios e dos avós, perante aos filhos, que traziam amigos da cidade nas famílias na Zona Rural.
Os filhos de agricultores que foram estudar ou trabalhar na Zona Urbana também no início sentiam vergonha, pois eram desvalorizados. E ao mesmo tempo viam que eles falavam bonito, respondiam corretamente.
Desde um simples constrangimento, provoca, por exemplo, pelo fato de sentir vergonha, um sentimento de desvalorização pessoal, que pode estragar uma pessoa, até uma comunidade.
Nós hoje, descendentes de italianos, jamais gostaríamos de ter passado por todo esse constrangimento no falar e ser chamado de atrapalhado, ignorante, grosso, burro, colono, colono burro, colono grosso, atrapalhado.
Houve uma fase da história, da colônia italiana em que a interferência da língua italiana no Português das pessoas, que hoje estão com seus setenta e oitenta anos, até menos foi motivo de troça, de chacota.
No falar eles escorregavam e diziam alguma coisa carroça, ou riam quando falavam carregado.  E ainda hoje existe colegas que riam, e outros até chamam aquele é gringo, é lá da roça.
Podemos afirmar que não é a língua que é ridicularizada, mas a condição social de quem fala, pois o econômico hoje, em certos casos, é muito melhor.
Podemos afirmar que tudo isso ocorreu devido às características da Campanha de Nacionalização do ensino no período da Segunda Guerra Mundial.
 Esta Campanha que houve nas áreas rurais, com o objetivo de firmar o nacionalismo, com medidas de integrar os colonos a identidade brasileira.
Com isso deu-se ênfase ao ensino obrigatório do Português, de História e Geografia do Brasil e educação cívica.
A língua estrangeira foi proibida nas escolas, serviços públicos, militares e até nas inscrições de tumbas e lápides (PESAVENTO, op. cit, p. 192).

 
Com a nacionalização do ensino, houve ganhos no número de escola e crianças que frequentavam, mas por outro lado houve sem dúvida, perda cultural, a substituição de uma pela outra.
Não foi diferente nas colônias de origem alemã.
A ideologia do Estado Novo, um nacionalismo, com eliminação das particularidades regionais e o progresso do Industrialismo, e com base em uma nação homogênea, com uma única cultura e língua.
Com isso podemos constatar que a censura da língua e a sua expulsão das escolas, ela persistiu apenas na oralidade até hoje.
Até hoje está na lembrança das comunidades à proibição das falas italianas, ocorridas durante a Segunda Guerra Mundial.
Nesta fase da história brasileira, foi marcada pela proibição de falar a língua dialeta.
Aos ouvidos dos colonos soavam as palavras, medo, ameaça, cadeia, preso, prender, proibição e tantos outros.
Até a polícia prendia e dava cadeia, para quem falasse a língua italiana. Muitas pessoas foram obrigadas na marra de falar Português.
Na sala de aula, ou em qualquer situação, quando alguém falava em italiano, era repreendido pela professora, xingado, ou até levava castigo.
Muitas vezes os próprios amigos falavam em italiano, só para ver o colega preso, ir para a delegacia e às vezes na cadeia.
Neste período, os colonos nem iam para a cidade de medo. E se iam comprar semente, e não conseguiam dizer em Português, eram presos, ou se diziam Bom Giorno, ao invés de Bom Dia, também complicado, né.
E nos livros de História estudamos o Governo de Getúlio Vargas, como um herói, um grande político. Só que não sabemos o lado podre da história.
Este período foi marcado pelo silêncio, calado, mudo. Houve falta de identidade e baixa auta-estima do colono.
A zona rural foi a mais marcada por todo este clima de incerteza e da angústia.
Já nas zonas urbanas houve um maior favorecimento para o aprendizado da língua portuguesa.
Para muitas pessoas foi humilhante e traumático, pois não conheciam o passado do Brasil, nem a cultura. Com isso sofriam uma dupla exclusão. A condição social, a diferença linguística e o pior, eram colonos.
Com o fim da Segunda Guerra Mundial, a urbanização crescia, a industrialização cada vez mais acelerada, e o acesso a educação era importante.
E a zona rural passou a ter um conceito negativo, como: mais pobre, mais distante, mais isolada, menos acesso a educação e principalmente menos condições de compra de bens de consumo e prestígio.
Tudo isso ocasionou ao colono um entrave, um desconforto quanto à profissão e isenções sociais, só por ser colono.
Esta fase negra da história do colono ficou violentamente sufocada na memória cultural das comunidades.
Até as escolas calaram, desencorajaram o uso de duas línguas. Além do Português, Inglês e o dialeto, seria importante. Existem no rio Grande do Sul, somente duas prefeituras que incluíram no seu currículo o dialeto italiano. Serafina Correia e Carlos Barbosa.

3.3 O COLONO VISTO COMO UM PROGRESSISTA


Na década de oitenta, surgiram na região Nordeste do Rio Grande do Sul, programas em rádio falando o dialeto, de tipo vêneto em talian.
 Isto ocorreu durante o centenário da imigração italiana (1975), a iniciativa dissimou como instrumento de resgate e manutenção da fala dialetal praticada pelos primeiros colonos chegados a estes locais. Um resgate que torna pública uma experiência linguística. Impor, ao se configurar a um código que resulta da combinação de elementos geográficos, éticos e culturais, uma linguagem que resulta de diversos falares estrangeiros e a fala local.
O Governo reconhece a importância de preservar esse patrimônio imaterial, mas nem sempre foi assim. Segundo historiadores em 1500, eram faladas 1.078 línguas indígenas. Para colonizar o país e catequizar os povoa os descobridores forçaram o aprendizado do Português. O presidente Getúlio Vargas, foi outro grande inimigo. No Estado Novo (1937-1945), defendeu-se a nacionalização do ensino e os idiomas falados por descendentes de estrangeiros, simbolizavam falta de patrimônio. Por isso caíram em desuso.
Hoje em nossa sociedade aquela palavra, vergonha, deixa de ser mencionada e passa a ser empregada com orgulho.
   O colono assume uma nova identidade social. Os amigos se reúnem em grupos ou em famílias, e lembram a fala daquela época, contam histórias, tudo em dialeto.
Os mais velhos falam com os netos e com os amigos, em dialetos, e estes tentam falar, perguntam e querem aprender. É uma nova era e torna-se necessário aproveitá-la, já que os nossos antepassados não tiveram esta oportunidade.
Hoje o colono não é atrasado, ele tem internet, tem carro, tem caminhão, telefone, parabólica, skay, celular, enfim todos os confortos da cidade. Inclusive fala o Português, outras línguas e mais o dialeto. Já não é mais grosso e nem atrasado.
O filme, o Quatrilho, um romance que teve muito sucesso e despertou o interesse de estudiosos.
É uma história de tradição, no início do século passado, tendo como cenário a região colonial italiana do Rio Grande do Sul, serviu de inspiração para duas produções artísticas. O episódio começou na área rural de Linha Taquara, hoje pertence a Gramado, e teve seu desfecho em Ibarama, cidade que fica 12 quilômetros de Sobradinho, no vale do Rio Pardo.
A trama virou livro e filme, e chegou a concorrer ao Oscar.
Quando muitos já pensavam que o Talian fosse destinado a morrer totalmente, aconteceu o milagre: os intelectuais começaram a pensar, juntamente com professores, escritores e pesquisadores, começam a escrever crônicas, artigos, poesias, livros, filmes, artigos no jornal, no rádio, na TV, tudo no nosso idioma.
O povo diz que o nosso falar é bonito, é importante, que não é mais língua de ignorantes, mas de ter orgulho, e é uma honra saber falar e usá-la.
O resultado de todo esse movimento de valorização do Talian se ouve e se vê por tudo: diversas emissoras de rádio têm seus programas em Talian; jornais apresentam sessões talianas; sociedades talianas nascem por todos os cantos, como fungos depois da chuva; e, por cima de tudo, como um arco-íris com todas suas belas cores, como a Sociedade, a Massolin de Fiori Società Taliana, fundada em Porto Alegre, como um farol que chama a todos para dizer: “Aqui floresce a cultura Trivéneto-Lombarda que herdamos dos nossos antepassados!”
  Com isso surge o Talian, mistura de diferentes dialetos. Este idioma não nasceu da noite pro dia, como um milagre. Foi o tempo que se encarregou de colocar os assentos no seu devido lugar. Ele é mais vêneto do que trentino ou lombardo e com alguma palavra brasileira, até que se tornou uma língua de comunicação entre todos os imigrantes e os seus descendentes. Com a preservação do nosso falar, conseguimos manter unida a fé, o amor, a vontade de trabalhar, a honra e principalmente a nossa cultura.
Se nesta época, nós descendentes de italianos tivéssemos um governo culto, hoje todos do Rio Grande do Sul, seríamos pelo menos bilíngüe; Talian-Português.
Só hoje vemos que também os professores tinham uma curta visão e juntamente com a polícia eram verdadeiros pelegos do governo.
Quanta gente se convenceu que era melhor deixar de falar a nossa língua materna, e que na Itália, na República Veneza, por mais de mil anos foi língua oficial.
Os costumes e tradições trazidos da Itália preservam-se e ainda hoje se identificam principalmente nas áreas rurais. Tudo é notado, desde a organização da propriedade, a estrutura familiar, a educação dos filhos, e a vida social, que ao mesmo tempo, integrada a realidade brasileira, persiste fiel a tradição e que tem um valor histórico inegável.
As formas dialetais são um fato positivo para manter os costumes, valores morais, os modos de vida e sua própria história. 
E quem não preserva a tradição, destrói sua própria história.

3.4 PROVÉRBIOS DOS ÁVOS


Em qualquer idioma, qualquer cultura ou país, sempre há bons e sábios provérbios.
Quase sempre a origem vem do povo, com ritmo e rima rico em sabedoria, sintetiza um conceito a respeito da realidade, regra social e moral.
 Até o livro mais trabalhado e heterogêneo da Sagrada escritura, fala dos provérbios, que é a Bíblia.
Também os imigrantes tinham a sabedoria e seus ditos, e que faz parte do nosso convívio.
Os provérbios são tão antigos quanto o homem. Mesmo antes da escrita, já existiam os provérbios, e é um sustentáculo pela fácil memorização. Todos os homens são iguais em toda a parte do mundo, o que os faz diferente é a sua cultura. Até para transmitir preceitos morais e religiosos providos pelos oradores.
Na verdade, eles constituem a alma de um povo, e a sua história.
Todo o provérbio encerra um ensinamento, uma sabedoria. Tanto é verdade, que se diz: A sabedoria dos antigos está contida nos provérbios ou adágios populares. Passadas de geração em geração, essas máximas constituem um fator cultural, uma nova riqueza para os povos. Os imigrantes italianos sempre faziam largo o uso dos provérbios para dar ensinamentos aos seus próprios filhos (MARCUZZO, Clementino Pe., 2010, p 16).
A primeira publicação que se tem conhecimento foi no século XVI, e nela continha 150 provérbios, eram todos em língua veneziana. Depois atingiram a Lombardia e Nápolis. Mais tarde surgem alguns com os gregos, espanhóis, franceses, muitos com a riqueza até os dias atuais.
  Estes provérbios foram trazidos ao Rio Grande do Sul pelos imigrantes, a partir de 1875, com a formação das três colônias Imperiais: Garibaldi, Bento Gonçalves e Caxias do Sul, e a quarta Colônia Imperial, no centro do Estado, com sede em Silveira Martins.
A agricultura e o trabalho desses colonos fez engrandecer o nosso Estado.
Os provérbios são escritos em Talian vêneto. É mais uma riqueza cultural, decorre e aplique-os oportunamente transmitindo-os para as novas gerações e são salutares ensinamentos de nossa cultura.
Ai sete ani ze putei, ai settenta ancora quei.
Aos sete anos, somos crianças, aos setenta ainda os mesmos.
Amor novo, va e vien, amor vecchio se mantien.
Amor novo vai e vem, amor velho se mantém.
Ai preti e capitei, tirarghe via sempre i capei.
Aos padres e aos capitéis, tirar sempre os chapéus.
A lacqua faz male, el vino fa cantare.
A água faz mal e o vinho faz cantar.
A raposa perde el pel ma no el vissio.
A raposa perde o pelo, mas não o vício.
Alegria fa cantar, la passion fa crepar.
A alegria, faz cantar, a paixão faz morrer.
Amore, tosse e panza, no si sconde.
Amor, tosse e barriga, são três coisas que não se esconde.
Os cantos dos italianos fazem muito sucesso nas rádios e mesmo nas festas, com a música Mérica, Mérica.
As festas de muitos lugares de origens italianas, o Padre reza a missa em Talian, e a tarde continua a cantoria em dialeto.
Em Antônio Prado existe pessoas pretas que falam o Talian muito melhor que os meninos.
Os jovens que aprenderam o Talian com os avós, fazem poemas, contam estórias, cantam e conversam, e não sentem vergonha nenhuma da vida da colônia.






















CONCLUSÃO


Agora tenho certeza, de que o que sou, tem tudo a ver, com os meus antepassados, que deixaram suas terras e aqui venceram e constituíram uma nova nação.
Não foi fácil deixar a própria terra e familiares, mas a vontade de sair da miséria, os emigrantes aproveitaram a oportunidade para buscar a cucagana, na América, isto é no Brasil.
Os imigrantes italianos conseguiram vencer as dificuldades com muita criatividade e principalmente muita fé.
Especificamente, após este trabalho posso dizer que encontrei as minhas raízes, tendo como partida Pietro Righês.
O que fica gravado em nossas mentes e corações é de que nunca devemos disistir quando se tem um objetivo a buscar. Com tudo não devemos esquecer, que só se vence quando se está unido em grupo, pois foi assim que eles venceram, uma vez que o fundamento estava na família, pois todos trabalhavam para a família ir bem. Depois da família, os vizinhos e finalmente a comunidade.
Com a certeza que o passado nos impulsiona para o futuro, proponho que mais pessoas busquem encontrar as próprias raízes, pois vale a pena, pois devemos ter consciência de que o que somos, devemos ao trabalho que os nossos antepassados fizeram.
















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